Páginas

Mostrando postagens com marcador Poetas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poetas. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Arnaldo Jabor

O IDIOTA E A MOEDA

Conta-se que numa cidade do interior um grupo de pessoas se divertia com o idiota da aldeia. Um pobre coitado, de pouca inteligência, vivia de pequenos biscates e esmolas.
Diariamente eles chamavam o idiota ao bar onde se reuniam e
ofereciam a ele a escolha entre duas moedas: uma grande de 400 REIS e outra menor de 2.000 REIS.

Ele sempre escolhia a maior e menos valiosa, o que era motivo de risos para todos.
Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e lhe perguntou se
ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos.
Eu sei, respondeu o tolo. "Ela vale cinco vezes menos, mas no dia que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e não vou mais ganhar minha moeda".

Pode-se tirar várias conclusões dessa pequena narrativa.
A primeira: Quem parece idiota, nem sempre é.
A segunda: Quais eram os verdadeiros idiotas da história?
A terceira: Se você for ganancioso, acaba estragando sua fonte de renda.
Mas a conclusão mais interessante é: A percepção de que podemos
estar bem, mesmo quando os outros não têm uma boa opinião a nosso respeito.
Portanto, o que importa não é o que pensam de nós, mas sim, quem realmente somos.
O maior prazer de um homem inteligente é bancar o idiota diante de um idiota que banca o inteligente.

domingo, 27 de novembro de 2011

George Denis Patrick Carlin

Foi humorista, ator e autor estadunidense que defendia os valores seculares. Morreu em 2008 aos 71 anos uma semana após sua última apresentação no Orleans Hotel e Casino de Las Vegas. Queria ser cremado com as cinzas espalhadas sem homenagens públicas ou religiosas.

Ateu convicto da culpa e do controle social, cuja visão não diferenciava de nenhum religioso. Quando leio seus textos, me convenço de que ele era mais um típico ateu na contra mão.

O Paradoxo do Nosso Tempo
Nós bebemos demais, fumamos demais, gastamos sem critérios, dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais e rezamos raramente.
Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores. Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos freqüentemente. Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.
Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.
Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.
Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos.
Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.
Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos.
Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias.
Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados.
Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas "mágicas".
Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.
Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar 'delete'.
Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão por aqui para sempre. Por isso, valorize o que você tem e as pessoas que estão ao seu lado. George Carlin
O resultado das igrejas tem que passar entre o Amor a Deus e respeito ao ser humano, mas suas caricaturas nos afastam do essencial. Como cristã convicta prefiro a sinceridade dos ateus à certas arrogâncias. Viver o que anunciamos é desafiador. Temos diferenças teológicas sim, mas não nas questões humanas! Só Deus nos conhece e os achistas insistem nas interpretações desrespeitosas e sem caridade. A intenção do caráter cristão deve ser alimentado diariamente, para que Deus aconteça. Conversão é um processo delicado!

Mi – Base:FM – Cps, 27/11/11
A Santidade de Vida - George Carlin - http://youtu.be/6en4p-jMbyw

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Assim a vida nos coloca

Exemplo fantástico que o Fábio nos deu, no poema de Drummond, onde José fica em situações desfeitas. A festa existia e acabou; os amigos presentes se foram. O poeta desconstrói o contexto do personagem e o coloca nu diante dos fatos: e agora José? Como você reage neste processo de desconstrução?

A vida constrói e inevitavelmente desconstrói. Também nos capacita a partir da desconstrução para uma nova etapa. A vida é inconstante, o jeito que somos hoje perante ela pode não servir para amanhã, ela nos posiciona de inúmeras formas. Vemos que nossa família, nossos amigos, nossos espaços e nós mesmos, não somos mais iguais. Estruturas modificam o tempo todo e temos que reconstruí-las.

O conhecimento lembra desconstrução. Tínhamos uma idéia construída sobre algo, ao falarmos com alguém, descobrimos fatos novos, que até então não percebíamos. Pronto! Quebramos este conhecimento e o renovamos. Assim que se dá o processo de desconstrução. Desabou o conhecimento antigo e fez-se um novo. Enquanto vivemos seremos desconstruídos e reconstruídos, processo cíclico que espetacularmente nos faz ir além.

A vida quer de nós uma resposta nova para a existência, mas a pergunta que ela nos faz é sempre a mesma: e agora? Agora as respostas são diferentes, são mais sensíveis, amadurecidas, evoluídas.

JOSÉ: http://is.gd/f9yNj

O poema mostra José no seu cotidiano angustiante. Sem espaço, sem alegria e sem felicidade. Está só na fria escuridão do abandono. Ama, mas é irônico, faz versos, mas é desconhecido, sem sobrenome. De onde veio, para onde vai? Quem sabe!? Sofre de carência afetiva, não pode apegar-se em qualquer vício. Para ele o dia não veio e nada vem mesmo de mentiras ou de ilusões. Não se realiza como pessoa. A esperança mofou. Seu terno o impossibilitado de agir. Tem chave, mas não há porta. Nem morrer pode, o mar onde quer morrer secou. Quer voltar para Minas que é seu ponto de equilíbrio, a Minas dos seus sonhos, de sua infância, mas essa Minas, não existe mais, modificou. Nem tem fé para se refugiar. José não encontra a si mesmo. Perdeu-se e sem qualquer direção ele prossegue: para onde, José?

José se construiu, foi desconstruído e não fez o exercício de reconstrução? E agora José?

Mi, Cps 14/09/10

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Guimarães Rosa

A terceira margem do rio

Homem, meia-idade deixa familia e amigos para viver em uma canoa no meio de um rio e jamais volta a pisar na terra. Seu único contato com pessoas se dá através de um filho, que lhe deixa comida na margem. Os anos se passam a vida segue seu curso natural, mas o filho de uma certa forma

Loucura ou abandono? É a metáfora da origem, do destino e da travessia, a necessidade de viver águas, ora violentas, ora calmas, com o objetivo de chegar ao lugar almejado. O homem, normal, igual aos pais do lugar, sem nenhuma palavra despede-se da família e vai. Agora mora ou torna-se parte do rio. Isola-se e entra na categoria do diferente chocando o senso comum: permanecia nos espaços do rio, de meio a meio, rio acima, rio abaixo, sempre na canoa e dela não sai mais. Transforma-se em paisagem.

A família se adapta à realidade e cria outras margens para os muitos acontecimentos (nascimentos e mortes) do tempo. A culpa permeia todos, mas fingem não perceber a loucura. Silenciam. O filho acompanha sua trajetória e tenta definir os porquês. Rotinas misteriosas. Dirige-se a margem e propõe ao pai que troque de lugar com ele: tem de haver alguém que ouse desafiar as regras estabelecidas, que proponha o novo, o diferente, o inesperado.

Mas, o homem abandona a margem para ser meio. Por quê o filho abanda a travessia para ser margem?

Paisagens coisificadas no mundo, homens lançados à margem de qualquer possibilidade. Mas a travessia não traz consigo toda a simbologia da existência humana? A escolha não sugere, simultaneamente, a defesa de um espaço e a inserção do insólito, do não habitual?

Em termos filosóficos, isso equivale ao momento de equilíbrio. O fato de o pai, em vez de chegar a algum lugar, preferir continuar na canoa, traduz a sua consciência do aspecto mutável da existência. O contraste entre o modus vivendi do pai e o senso comum é metonimizado pela sua relação com o filho.

O filho que poderia continuar o projeto do pai em virtude de sua covardia fracassa por duas vezes: em menino no momento da partida do pai que não quer levá-lo consigo, então percebe-se amedrontado e desiste; já adulto, quando propõe a substituição e o pai aceita, então foge ao combinado. A coragem é um dos atributos mais valiosos do humano, mas deve o medo ser superado?

O maior contraste entre pai e filho é justamente a ousadia de um e o medo do outro. A vitalidade do pai parece derivar da vida livre que escolheu para si, e torna ainda mais flagrante a mesmice da vida comum do filho, “apenas um demoramento”.

Questionamentos elucidativos
Personagens sem nomes caracterizam o social. Quietude do pai tende ao isolamento. Mãe responsável pelo comando prático da família.
Pessoas que abandonam ideais e ficam a cargo da rotina; outras que enlouquecem e perdem o sentido, e ainda os que apenas preferem constituir calados, tornando-se indiferentes ao mundo. Não há responsabilidades ou objetivos, são apenas margens da margem num rio indiferente
A terceira margem do rio desperta para o mundo do inconsciente, do abstrato.
O pai, ao ir à procura dão rio busca o desconhecido dentro de si mesmo; o isolamento é a única maneira para entender os mistérios da alma, o incompreensível da vida e medo do desconhecido.
Por que evade de toda e qualquer convivência com a família e com a sociedade, preferindo a completa solidão do rio. Por que a busca pelo pai? Por quê não fez a troca? Medo do que?

Quem é o desequilibrado?
Pai, filho, os dois ou Nenhum dos dois?

A vida do filho torna-se reclusa e sem sentido, a não ser pelo desejo obstinado de entender os motivos da ausência do pai: “De que era que eu tinha tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência?”

Um ser humano cujos ideais de vida divergem dos padrões aceitos como normais. Atitude obstinada, ao mesmo tempo, afronta e perturba seus familiares e conhecidos, que se vêem obrigados a questionar as razões de seu isolamento e alienação.

Persistir na busca de entendimento da opção do pai chega a desejar substituí-lo. A escolha do isolamento no rio instiga permanentemente o filho, que é levado a questionar o próprio existir humano.

São tantos os rios e margens passíveis de travessia... E demonstra a possibilidade de navegação. O recomeço, a recriação de cada margem de origem e a transformação do destino em um novo porto inicial.

Margeiam os grandes rios, as ações, as diversas etapas de sua vida que demonstram a grandeza dos grandes navegadores

Travessias dão margens aos desbravamentos de nossas possibilidades de lutas e realizações. http://is.gd/d0tiC

ficção rosiana

sábado, 17 de abril de 2010

CHICO BUARQUE


A felicidade
Morava tão vizinha
Que, de tolo
Até pensei que fosse minha

Chico Buarque




SOLIDÃO VISTA POR FRANCISCO BUARQUE DE HOLANDA

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear .... isto é carência.

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... isto é saudade.

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... isto é equilíbrio.

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... isto é um princípio da natureza.

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... isto é circunstância.

Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Arnaldo Jabor

O IDIOTA E A MOEDA

Conta-se que numa cidade do interior um grupo de pessoas se divertia com o idiota da aldeia. Um pobre coitado, de pouca inteligência, vivia de pequenos biscates e esmolas.
Diariamente eles chamavam o idiota ao bar onde se reuniam e
ofereciam a ele a escolha entre duas moedas: uma grande de 400 REIS e outra menor de 2.000 REIS.

Ele sempre escolhia a maior e menos valiosa, o que era motivo de risos para todos.
Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e lhe perguntou se
ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos.
Eu sei, respondeu o tolo. "Ela vale cinco vezes menos, mas no dia que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e não vou mais ganhar minha moeda".

Pode-se tirar várias conclusões dessa pequena narrativa.
A primeira: Quem parece idiota, nem sempre é.
A segunda: Quais eram os verdadeiros idiotas da história?
A terceira: Se você for ganancioso, acaba estragando sua fonte de renda.
Mas a conclusão mais interessante é a percepção de que podemos
estar bem, mesmo quando os outros não têm uma boa opinião a nosso respeito.
Portanto, o que importa não é o que pensam de nós, mas sim, quem realmente somos.
O maior prazer de um homem inteligente é bancar o idiota diante de um idiota que banca o inteligente.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Rui Barbosa

Prece de Natal

"Mistério Divino, em cujo seio, há mil e novecentos anos, se desenvolve a civilização humana, perdoa aos que deste lugar de fraqueza e paixões ousam desflorar com o pensamento a Tua pureza. Os moldes da única eloqüência capaz de Te não profanar quebram-se com a última inspiração dos Teus livros sagrados".

"Desde então, de cada vez que o homem se desengana do homem, e a alma precisa do ideal eterno, na melancolia das épocas agitadas e tenebrosas, diante da injustiça ou da dúvida da opressão ou da miséria, é no cristal das Tuas fontes que se vai saciar a nossa sede. Deixaste-as abertas na rocha a Tua verdade, e há dezenove séculos que borbotam com o mesmo frescor sempre das primeiras lágrimas daquela cuja eternidade virginal desabotoavam hoje na flor da redenção cristã".

"Tamanha é a Tua grandeza que excede todas as do Universo e da razão: o espaço, o tempo, o infinito, acima dos quais a cruz da Tua tragédia espantosa parece maior que os vôos da metafísica, as imensidades dos cálculos e as hipóteses do sonho. Daí a palavra e a imaginação recuam assombradas, balbuciando. A criatura sente o Teu amor, mas tremendo. Vê-se alvorecer a eternidade na magnificência de um abismo que se rasga no Céu; mas nas suas arestas alguma coisa há de sombra e ameaça. De onde, porém Tu penetras no coração, de todos com a doçura de uma carícia universal, é daquele presépio, onde a Tua bondade nos amanheceu um dia no sorriso de uma criança."

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Arthur da Távola

Afinidade
A afinidadenão é o mais brilhante dos sentimentos
Contudo o mais sutil, delicado, penetrante, e o mais independente.
É ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos.
É ficar conversando sem trocar palavra.
É receber o que vem do outro

Com aceitação anterior ao entendimento.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Bob Marley

Ventos!
Os ventos que às vezes tiram algo que amamos

São os mesmos que trazem algo que
aprendemos a amar...
Por isso não devemos chorar pelo que nos foi tirado

e sim aprender a amar o que nos foi dado.
Pois tudo aquilo que é realmente nosso

Nunca se vai para sempre...

Mario Quintana

Vida

Quando se, vê já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, passaram-se 50 anos...
Agora é tarde demais para ser reprovado

Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas...
Desta forma eu digo:

Não deixe de fazer algo que gosta devido a falta de tempo, a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará jamais.


-----------------------------------------------------------

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento... Mário Quintana

domingo, 4 de abril de 2010

Rubem Alves

A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar.

Amar é ter um pássaro pousado no dedo.
Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que,
a qualquer momento, ele pode voar

A celebração de mais um ano de vida é a celebração de um desfazer, um tempo que deixou de ser, não mais existe.Fósforo que foi riscado.Nunca mais acenderá.Daí a profunda sabedoria do ritual de soprar as velas em festa de aniversário.Se uma vela acesa é símbolo de vida, uma vez apagada ela se torna símbolo de morte.

A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente

Cartas de amor são escritas não para dar notícias, não para contar nada, mas para que mãos separadas se toquem ao tocarem a mesma folha de papel.

Deus é alegria. Uma criança é alegria. Deus e uma criança têm isso em comum: ambos sabem que o universo é uma caixa de brinquedos. Deus vê o mundo com os olhos de uma criança.Está sempre à procura de companheiros para brincar.

Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses

É mais fácil amar o retrato. Eu já disse que o que se ama é a ‘cena’. ‘Cena’ é um quadro belo e comovente que existe na alma antes de qualquer experiência amorosa. A busca amorosa é a busca da pessoa que, se achada, irá completar a cena. Antes de te conhecer eu já te amava.... E então, inesperadamente, nos encontramos com rosto que já conhecíamos antes de o conhecer. E somos então possuídos pela certeza absoluta de haver encontrado o que procurávamos. A cena está completa. Estamos apaixonados

A alma é uma coleção de belos quadros adornecidos, os seus rostos envolvidos pela sombra. Sua beleza é triste e nostálgica porque, sendo moradores da alma, sonhos, eles não existem do lado de fora. Vez por outra, entretanto, defrontamo-nos com um rosto (ou será apenas uma voz, ou uma maneira de olhar, ou um jeito da mão...) que, sem razões, faz a bela cena acordar. E somos possuídos pela certeza de que este rosto que os olhos contemplam é o mesmo que, no quadro, está escondido pela sombra.

O corpo estremece. Está apaixonado.

Acontece, entretanto, que não esxiste coisa alguma que seja do tamanho do nosso amor. A nossa fome de beleza é grande demais.(...)Cedo ou tarde descobrirá que o rosto não é aquele. E a bela cena retornará à sua condição de sonho impossível da alma. E só restará a ela alimentar-se da nostalgia que rosto algum poderá satisfazer...

Todo jardim começa com uma história de amor, antes que qualquer árvore seja plantada ou um lago construído é preciso que eles tenham nascido dentro da alma.

Quem não planta jardim por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles.
Mas na profissão, além de amar tem de saber. E o saber leva tempo pra crescer
Continuaram a acariciar-se sem desejo e atormentando-se com as súplicas e as recordações.Saborearam a amargura de uma despedida que pressentiam,mas que ainda podiam confundir com uma reconciliação

Quem experimenta a beleza está em comunhão com o sagrado.

Mas na profissão, além de amar tem de saber. E o saber leva tempo pra crescer. (RA)

Machado de Assis

BONS AMIGOS

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende. Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende. Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora. Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.

Porque amigo é a direção. Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade. Ter amigos é a melhor cumplicidade!
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas! (MA)

Charlie Chaplin

PRECISO DE ALGUÉM

Que me olhe nos olhos quando falo.
Que ouça as minhas tristezas e neuroses com paciência.
Preciso de alguém, que venha brigar ao meu lado sem precisar ser convocado; alguém Amigo o suficiente para dizer-me as verdades que não quero ouvir, mesmo sabendo que posso odiá-lo por isso.
Neste mundo de céticos, preciso de alguém que creia, nesta coisa misteriosa, desacreditada, quase impossível de encontrar: A Amizade.
Que teime em ser leal, simples e justo, que não vá embora se algum dia eu perder o meu ouro e não for mais a sensação da festa.
Preciso de um Amigo que receba com gratidão o meu auxílio, a minha mão estendida.
Mesmo que isto seja pouco para as suas necessidades.
Preciso de um Amigo que também seja companheiro, nas farras e pescarias, nas guerras e alegrias, e que no meio da tempestade, grite em coro comigo:
"Nós ainda vamos rir muito disso tudo"
Não pude escolher aqueles que me trouxeram ao mundo, mas posso escolher o meu Amigo.
E nessa busca empenho a minha própria alma, pois com uma Amizade Verdadeira, a vida se torna mais simples, mais rica e mais bela... (CC)