Em 35, Noel Rosa e Wilson Batista dois sambistas travam um verdadeiro combate musical que só foi registrado em 56. Wilson Batista na época escrevia para jornais de modinhas que publicavam letras de novos sambas, mas tinha uma gravação: Lenço no Pescoço que começa assim:“tamanco arrastando...”.
Noel Rosa ouve Wilson Batista se orgulhar da vadiagem e se ofende que a palavra malandro seja sinônimo de sambista começa a briga na letra de Rapaz Folgado: "Deixa de arrastar o teu tamanco, pois tamanco nunca foi sandália...".
Wilson Batista não era famoso, mas tinha admiradores, logo reage com Mocinho da Vila: "Se não quiser perder o nome, cuide do seu microfone e deixe quem é malandro em paz... fala de malandro quem é otário".
Noel compõe Feitiço da Vila: "Quem nasce lá na Vila, nem sequer vacila ao abraçar o samba...".
Wilson Batista gosta da notoriedade que a briga proporciona a ele, um desconhecido e o provoca com Conversa Fiada: "É conversa fiada dizerem que o samba lá na vila tem feitiço..." "...antes de irem dormir dêem duas voltas no cadeado".
Noel responde com Palpite Infeliz: "Quem é você, que não sabe o que diz...".
Wilson Batista ataca com Frankstein da Vila, o qual se arrepende ao tocar no complexo de Noel que tinha o queixo afundado e uma ligeira paralisia no lado direito provocado pelo fórceps no parto. "Boa impressão nunca se tem, quando se encontra um certo alguém, que até parece o Frankstein..." Dizem que Noel compra todas as modinhas que encontra, para rasgá-las mas não o faz.
Noel começa a finalizar com João Ninguém: "João Ninguém, que não é velho nem moço, come bastante no almoço pra se esquecer do jantar".
Wilson Batista ainda retruca com Terra de Cego: "És o abafa da Vila, bem sei, mas na terra de cego quem tem um olho é rei".
Mas, Noel gosta da melodia nasce então um encontro e a única parceria onde refaz a letra cujo tema é Ceci namorada de ambos em momentos diferentes com: Deixa de ser convencida.
Noel morre em 1937, aos 26 anos, consagrado como um dos maiores compositores brasileiros. Wilson Batista começa a fazer sucesso, não como rival de Noel de quem se torna amigo, mas com outros tipos de canções. As interpretações mostram que os duelos deixam obras sensacionais para a história do samba e para nossa cultura, lógico.
http://www.samba-choro.com.br/s-c/tribuna/samba-choro.0308/0119.html
No amor tivemos a vida conjugal tumultuada de Herivelto Martins e Dalva de Oliveira que rendeu um escândalo nacional pela imprensa. Diante do sofrimento com a separação a carreira de Herivelto e de Dalva fortalece diante de letras retratada com fidelidade a crise do casal.
Herivelto começa com o samba "Cabelos Brancos"
Dalva responde com o "Tudo acabado", de J. Piedade e Osvaldo Martins
Herivelto ataca com outras canções como: "Caminhemos", "Quarto Vazio", "Caminho Certo" e "Segredo". Dalva rebate com "Calúnia", "Errei sim" e "Mentira de Amor"
O público se dividia entre Dalva e Herivelto alimentando o cenário musical
De lá pra cá as brigas musicais tornaram-se comum:
Dizem que Paulinho da Viola fez “Argumento” para provocar o samba no piano de Benito di Paula.
Benito rebateu com a música “Não me importa nada” “você me aborrece com opiniões” e “olha o campo verde, é todo seu, rapaz”. Em outras palavras: vai pastar
Hoje naturalmente tudo está muitíssimo diferente as músicas mudaram e os gostos também, o que não muda são as brincadeiras descontraídas nas respostas como:
Vou não! Quero não! Posso não! Minha mulher não deixa não! Não vou não! Quero mão!
Vou sim! Quero sim! Posso sim! Minha mulher não manda em mim! Eu vou sim! Quero sim!
E ainda...
- Ai se eu te pego!
- É ruim que cê me pega
As escolhas musicais variam conforme o gosto de cada um, portanto cada qual no seu estilo. Serve para se ter alguma informação a respeito. O PRÈconceito não é legal. Não é o que gosto ou prefiro, mas respeito até acho divertido. Até o fado entrou na brincadeira http://youtu.be/9rB7pB-bksI viu? Até que não ficou ruim.
E por aí vai...
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domingo, 5 de fevereiro de 2012
sábado, 14 de janeiro de 2012
O Bêbado e “A” equilibrist”a”
Como sabemos, durante a Ditadura era comum o uso de metáforas para driblar os militares que reprimiam qualquer pessoa que se opusesse contra o arbitrário regime. Em 1979 da "arma" de João Bosco e Aldir Blanc saiu um samba: O bêbado e a equilibrista, que na interpretação de Elis entendemos como "disparavam" mensagens subliminares.
O Bêbado = artistas ou não, que enfrentavam a ditadura desejosos por liberdade.
e a Equilibrista = esperança em democracia - mas, em eventos como: eleiçoes, passeatas e etc, os militares sabotavam duramente.
Caía a tarde feito um viaduto = Nos anos 70 em Belo Horizonte, o viaduto da Gameleira, obra do governo desabou sobre carros e ônibus, muita gente morreu. Nada foi noticiado nem as pessoas foram ressarcidas ou indenizadas.
E um bêbado trajando luto, me lembrou Carlitos = militantes de esquerda desaparecidos ou assassinados sob tortura.
A lua = políticos civis a favor do regime, a fim de obter ganhos pessoais. Se um general declarasse que a lua era preta eles defendiam tal tese como verdade absoluta. Eram chamados de luas-pretas.
tal qual a dona do bordel = negócios imorais feitos nas Câmara e no Senado eram comparados a bordéis, mas se alguem atrevesse tocar no assunto, no mínimo seria processado por calúnia, injúria, difamação e muitas outras coisas.
Pedia a cada estrela fria = estrelas eram generais, donos do poder, que não apareciam, mas manipulavam nos bastidores. Contentavam com poucos privilégios, ninharias de cargos de direção em estatais ou o poder de nomear alguns para empregos públicos.
um brilho de aluguel = ganhos pessoais ou eleitorais obtidos pelos civis marionetes. Alguns destes civis cresceram tanto que altrapassaram em poder os seus "criadores" fardados.
E nuvens = os torturadores eram intangiveis assim como as núvens.
lá no mata-borrão = a temível polícia política da época era o mata-borrão destinada a sugar erros.Os militares criaram o DOI-CODI. DOI (Destacamento de Operações de Informações) responsável pela inteligência e repressão do governo subordinados ao CODI (Centro de Operações de Defesa Interna), local de assassinatos e torturas de opositores.
do céu = aos cidadão comum, as prisões eram distante, por isso era comparada ao céu.
Chupavam manchas = os rebeldes eram as manchas na escrita, para isso mata-borrão.
torturadas = tortura camuflada em militantes de esquerda.
que sufoco, louco = o regime jamais admitiu torturar pessoas, nunca houve punições nos casos, que apesar da censura a imprensa conseguia divulgar.
O bêbado com chapéu-coco fazia irreverências mil = artistas sempre achavam um jeito de falar, conforme a música em questão.
Pra noite do Brasil, meu Brasil... = a volta da liberdade política era o amanhecer e a ditadura noite.
Que sonha com a volta do irmão do Henfil = Alusão à Campanha pela Anistia aos presos e exilados políticos. Henfil, apelido de Henrique Filho, cartunista político perseguido pelo regime. Herbert José de Sousa era seu irmão Betinho, sociólogo e ativista dos direitos humanos brasileiro que foi contra a ditadura, logo exilado (Anistiado em 79, voltou ao Brasil).
Com tanta gente que partiu num rabo-de-foguete = os exilados.
Chora a nossa pátria mãe gentil. Choram Marias e Clarisses no solo do Brasil = Maria, esposa de Manuel Fiel Filho morto sob tortura nos porões do DOI-CODI/SP em janeiro de 76. Clarice esposa de Wladimir Herzog igualmente morto em outubro de 75.
Mas sei, que uma dor assim pungente, não há de ser inutilmente = a luta não seria insignificante.
A esperança dança, na corda bamba de sombrinha. E em cada passo dessa linha pode se machucar = ficavam impotentes perdiam algumas estratégias e muitos companheiros, os tidos como rebeldes sofriam, mas não desistiam.
Azar , a esperança equilibrista. Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar. = era a missão dos bêbados, jamais deixar de lutar, cada um com seu tipo de "arma", onde quer que estivessem e de maneiras diversas. Como diz a letra, não podiam parar...
Mi - Cps, 14/01/12
Fonte: http://www.contrabaixobr.com/t13563-o-bebado-e-a-equilibrista-significado-da-letra
O Bêbado = artistas ou não, que enfrentavam a ditadura desejosos por liberdade.
e a Equilibrista = esperança em democracia - mas, em eventos como: eleiçoes, passeatas e etc, os militares sabotavam duramente.
Caía a tarde feito um viaduto = Nos anos 70 em Belo Horizonte, o viaduto da Gameleira, obra do governo desabou sobre carros e ônibus, muita gente morreu. Nada foi noticiado nem as pessoas foram ressarcidas ou indenizadas.
E um bêbado trajando luto, me lembrou Carlitos = militantes de esquerda desaparecidos ou assassinados sob tortura.
A lua = políticos civis a favor do regime, a fim de obter ganhos pessoais. Se um general declarasse que a lua era preta eles defendiam tal tese como verdade absoluta. Eram chamados de luas-pretas.
tal qual a dona do bordel = negócios imorais feitos nas Câmara e no Senado eram comparados a bordéis, mas se alguem atrevesse tocar no assunto, no mínimo seria processado por calúnia, injúria, difamação e muitas outras coisas.
Pedia a cada estrela fria = estrelas eram generais, donos do poder, que não apareciam, mas manipulavam nos bastidores. Contentavam com poucos privilégios, ninharias de cargos de direção em estatais ou o poder de nomear alguns para empregos públicos.
um brilho de aluguel = ganhos pessoais ou eleitorais obtidos pelos civis marionetes. Alguns destes civis cresceram tanto que altrapassaram em poder os seus "criadores" fardados.
E nuvens = os torturadores eram intangiveis assim como as núvens.
lá no mata-borrão = a temível polícia política da época era o mata-borrão destinada a sugar erros.Os militares criaram o DOI-CODI. DOI (Destacamento de Operações de Informações) responsável pela inteligência e repressão do governo subordinados ao CODI (Centro de Operações de Defesa Interna), local de assassinatos e torturas de opositores.
do céu = aos cidadão comum, as prisões eram distante, por isso era comparada ao céu.
Chupavam manchas = os rebeldes eram as manchas na escrita, para isso mata-borrão.
torturadas = tortura camuflada em militantes de esquerda.
que sufoco, louco = o regime jamais admitiu torturar pessoas, nunca houve punições nos casos, que apesar da censura a imprensa conseguia divulgar.
O bêbado com chapéu-coco fazia irreverências mil = artistas sempre achavam um jeito de falar, conforme a música em questão.
Pra noite do Brasil, meu Brasil... = a volta da liberdade política era o amanhecer e a ditadura noite.
Que sonha com a volta do irmão do Henfil = Alusão à Campanha pela Anistia aos presos e exilados políticos. Henfil, apelido de Henrique Filho, cartunista político perseguido pelo regime. Herbert José de Sousa era seu irmão Betinho, sociólogo e ativista dos direitos humanos brasileiro que foi contra a ditadura, logo exilado (Anistiado em 79, voltou ao Brasil).
Com tanta gente que partiu num rabo-de-foguete = os exilados.
Chora a nossa pátria mãe gentil. Choram Marias e Clarisses no solo do Brasil = Maria, esposa de Manuel Fiel Filho morto sob tortura nos porões do DOI-CODI/SP em janeiro de 76. Clarice esposa de Wladimir Herzog igualmente morto em outubro de 75.
Mas sei, que uma dor assim pungente, não há de ser inutilmente = a luta não seria insignificante.
A esperança dança, na corda bamba de sombrinha. E em cada passo dessa linha pode se machucar = ficavam impotentes perdiam algumas estratégias e muitos companheiros, os tidos como rebeldes sofriam, mas não desistiam.
Azar , a esperança equilibrista. Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar. = era a missão dos bêbados, jamais deixar de lutar, cada um com seu tipo de "arma", onde quer que estivessem e de maneiras diversas. Como diz a letra, não podiam parar...
Mi - Cps, 14/01/12
Fonte: http://www.contrabaixobr.com/t13563-o-bebado-e-a-equilibrista-significado-da-letra
Música + história = imortalidade
História “A revolta das chibatas” - http://www.cefetsp.br/edu/eso/patricia/revoltachibata.html
Breve resumo - http://youtu.be/9jaw7piVMW0
Música – “O Mestre sala dos Mares” (João Bosco/Aldir Blanc), a letra apresentada é original, mas a ouvimos depois de censurada pela ditadura militar no Brasil. A imagem é da história. http://youtu.be/f9c7sY5TNTQ
Breve resumo - http://youtu.be/9jaw7piVMW0
Música – “O Mestre sala dos Mares” (João Bosco/Aldir Blanc), a letra apresentada é original, mas a ouvimos depois de censurada pela ditadura militar no Brasil. A imagem é da história. http://youtu.be/f9c7sY5TNTQ
sexta-feira, 4 de março de 2011
Justiça tardia!
Wilson Simonal um dos melhores cantores brasileiros de formação jazzística vindo da segunda fase da bossa-nova à improvisação rítimica.
A mistura de bossa, jazz e suingue resultou na ginga brasileira.
No final de 60 já não gozava da mesma popularidade que tinha, mas cantou no quadro do Especial de Elis sobre malandragem a música de Dorival Caymmi "Rosa Morena".
Há muitas pessoas injustiçadas neste mundo e essas pessoas partem sem conseguir provar a verdade. Infelizmente a justiça é tardia e falha.
Mas, seus filhos não foram omissos em divulgar tal inocência.
O projeto dos irmãos Max de Castro e Simoninha é de homenagear o pai.
E estão conseguindo!
Mi – Cps, 10/11/2010
A mistura de bossa, jazz e suingue resultou na ginga brasileira.
No final de 60 já não gozava da mesma popularidade que tinha, mas cantou no quadro do Especial de Elis sobre malandragem a música de Dorival Caymmi "Rosa Morena".
Há muitas pessoas injustiçadas neste mundo e essas pessoas partem sem conseguir provar a verdade. Infelizmente a justiça é tardia e falha.
Mas, seus filhos não foram omissos em divulgar tal inocência.
O projeto dos irmãos Max de Castro e Simoninha é de homenagear o pai.
E estão conseguindo!
Mi – Cps, 10/11/2010
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Gota d'água - Medéia brasileira
Em 1975, Os talentos de Chico Buarque e Paulo Pontes se reuniram para revitalizar submetendo a uma injeção de nossa realidade urbana do projeto de Oduvaldo Viana Filho, na adaptação Medeia, de Eurípedes, para a televisão, do clássico, escrito no ano de 431 a.C.
Medéia e Jasão > http://is.gd/eLT0H
A tragédia urbana, em forma de poema com mais de 4mil versos, tem como pano de fundo as asperezas sofridas por moradores de um conjunto habitacional, a Vila do Meio-dia, e, no centro, a relação entre Joana e Jasão, compositor popular sócio do poderoso empresário Creonte. Jasão termina por largar Joana e os dois filhos para casar-se com Alma, a filha do empresário.
Retrata as dificuldades no drama vivido por Joana e Jasão que, tal como na peça original, larga a mulher para casar-se com Alma, filha do rico Creonte. Sem suportar o abandono, e para vingar-se, Joana mata os dois filhos e suicida-se. Na cena final, os corpos são depositados aos pés de Jasão, durante a festa do seu casamento.
No prefácio do livro os autores registram:
Os dois são bem brasileiros: Jasão é moderno, pertence à massa e torna a música no alcance de todos. Joana vive no calor humano de pessoas, se está com raiva, explode facilmente. Creonte representa os homens de negócio, preocupado e honesto, mas rouba tanto quanto pode. De um modo bem esperto, legaliza todos os seus roubos, cobrando mais do que deve, tornando os moradores mais miseráveis.
Gota D´Água obra ampla e acessível a todos. Escrita de termos simples, popular e bastante complexa. Além da simples narrativa com muita eficiência, apresenta a característica mais comum das pessoas, que só estão ao nosso lado até o momento em que elas começam a perder algo por causa disso. Entre o próprio bem-estar e o conforto do amigo, as pessoas dão preferência para si mesmo. Excelentemente mostrado quando todas as amigas de Joana, que antes estavam ao seu lado, aceitam o emprego ofertado por Creonte, pai da nova mulher de Jasão.
O Chico é sempre bom em tudo que faz, explica de modo bastante sintético o adultério e suas consequências. Tema que extrapola o tempo.
Sobre o musical – http://is.gd/eLNSp
Mi - Cps, 31/08/10
Brasil, 1973, 170 páginas (editora Civilização Brasileira - 39ª edição). Autores: Chico Buarque e Paulo Pontes.
Medéia e Jasão > http://is.gd/eLT0H
A tragédia urbana, em forma de poema com mais de 4mil versos, tem como pano de fundo as asperezas sofridas por moradores de um conjunto habitacional, a Vila do Meio-dia, e, no centro, a relação entre Joana e Jasão, compositor popular sócio do poderoso empresário Creonte. Jasão termina por largar Joana e os dois filhos para casar-se com Alma, a filha do empresário.
Retrata as dificuldades no drama vivido por Joana e Jasão que, tal como na peça original, larga a mulher para casar-se com Alma, filha do rico Creonte. Sem suportar o abandono, e para vingar-se, Joana mata os dois filhos e suicida-se. Na cena final, os corpos são depositados aos pés de Jasão, durante a festa do seu casamento.
No prefácio do livro os autores registram:
"O fundamental é que a vida brasileira possa, novamente, ser devolvida, nos palcos, ao público brasileiro. Esta é a segunda preocupação de Gota d'Água. Nossa tragédia é uma tragédia da vida brasileira."Chico Buarque e Paulo Pontes captaram todos os momentos histórico no qual Medeia se passa e os transporta para a modernidade: a magia mitológica cede espaço aos terreiros de macumba e a magia negra. Reis agora são os homens ricos e as princesas, são as filhas dos homens ricos. Os autores fizeram com que comparássemos a realidade mítica de Medeia e a realidade concreta de Joana. A mesma mulher de épocas diferentes e, por conseguinte, passam por situações diferentes em sua concretude, mas iguais em sua essência. Jasão evidencia muito mais espaço na versão atualizada e abrasileirada.
Os dois são bem brasileiros: Jasão é moderno, pertence à massa e torna a música no alcance de todos. Joana vive no calor humano de pessoas, se está com raiva, explode facilmente. Creonte representa os homens de negócio, preocupado e honesto, mas rouba tanto quanto pode. De um modo bem esperto, legaliza todos os seus roubos, cobrando mais do que deve, tornando os moradores mais miseráveis.
Gota D´Água obra ampla e acessível a todos. Escrita de termos simples, popular e bastante complexa. Além da simples narrativa com muita eficiência, apresenta a característica mais comum das pessoas, que só estão ao nosso lado até o momento em que elas começam a perder algo por causa disso. Entre o próprio bem-estar e o conforto do amigo, as pessoas dão preferência para si mesmo. Excelentemente mostrado quando todas as amigas de Joana, que antes estavam ao seu lado, aceitam o emprego ofertado por Creonte, pai da nova mulher de Jasão.
O Chico é sempre bom em tudo que faz, explica de modo bastante sintético o adultério e suas consequências. Tema que extrapola o tempo.
Sobre o musical – http://is.gd/eLNSp
Mi - Cps, 31/08/10
Brasil, 1973, 170 páginas (editora Civilização Brasileira - 39ª edição). Autores: Chico Buarque e Paulo Pontes.
sábado, 21 de agosto de 2010
Geraldo Vandré
Mudou-se de João Pessoa para o Rio de Janeiro em 1951, ingressou na Faculdade Nacional de Direito, hoje UERJ, formado em 1961. Militante estudantil, participou ativamente do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE). Em 1968, com o AI-5 exilou-se. Após dias escondido na fazenda da viúva de Guimarães Rosa, falecido no ano anterior, o compositor foi para o Chile e, de lá, para a França. Voltou ao Brasil em 1973. Conforme algumas fontes, ainda compõe.
Contexto Social com uma de suas músicas: Disparada
de: Geraldo Vandré e Theo de Barros interpretada por Jair Rodrigues
Prepare o seu coração Prás coisas Que eu vou contar
Eu venho lá do sertão Eu venho lá do sertão Eu venho lá do sertão E posso não lhe agradar...
Aprendi a dizer não Ver a morte sem chorar E a morte, o destino, tudo A morte e o destino, tudo Estava "fora do lugar” ( Ditadura Militar);
“Eu vivo prá consertar...” [viver para consertar – ser “pau para toda obra”, alguém com alguma consciência das mazelas se dispõe a mudar o regime].
Na “boiada” já fui boi (boiada = metáfora para pessoas, população ou povo)
Mas um dia me “montei” (montar = assumir a condição, marginal, de Ser-boi no rebanho que compõe o tecido social)
Não por um motivo meu Ou de quem comigo houvesse Que qualquer querer tivesse Porém por necessidade Do dono de uma boiada Cujo vaqueiro morreu...
Boiadeiro muito tempo Laço firme e braço forte Muito gado, muita gente Pela vida segurei Seguia como num sonho E boiadeiro era um rei... [o boiadeiro vira rei quando sai da sua condição de “Ser-boi”, tomando as rédeas dos demais (no comando sobre os outros) a pedido de um fazendeiro assumi novas responsabilidades, passa a adquirir uma nova posição dentro da boiada, vindo a ter, atitude similar a do fazendeiro (se sente um rei)].
Mas o mundo foi rodando Nas patas do meu cavalo E nos sonhos Que fui sonhando As visões se clareando As visões se clareando Até que um dia acordei... [tomada de consciência, que de rei volta a se reconhecer como Ser-boi. E o acordar mostra isso perfeitamente (eu acordei para a realidade do mundo e para a minha realidade – a boiada e o Ser-boi].
Então não pude seguir Valente em lugar tenente E dono de gado e gente Porque gado a gente marca Tange, ferra, engorda e mata Mas com gente é diferente... [ruptura total com a ordem estabelecida! O boiadeiro, cônscio de sua condição existencial (dentro de uma sociedade de desprovidos e desigualdades), afirma que não pode mais ser um rei, aquilo ali não era ele. E a justificativa é simples e impactante: gente é gente, é ser humano (ele clama por sua humanidade, por sua condição de sujeito) e não gado (que a gente tange, ferra, engorda e mata – como o fazendeiro faz com seus trabalhadores, ou em sentido macro-cósmico como a burguesia global faz com a massa de trabalhadores)].
Se você não concordar Não posso me desculpar Não canto prá enganar Vou pegar minha viola Vou deixar você de lado Vou cantar noutro lugar
Na boiada já fui boi Boiadeiro já fui rei Não por mim nem por ninguém Que junto comigo houvesse Que quisesse ou que pudesse Por qualquer coisa de seu Por qualquer coisa de seu Querer ir mais longe Do que eu...
Mas o mundo foi rodando Nas patas do meu cavalo E já que um dia montei Agora sou cavaleiro Laço firme e braço forte Num reino que não tem rei [o boiadeiro chega a uma conclusão final – de que ele só será forte, verdadeiramente forte, se estiver em um reino onde não há mais um rei (anarquia)].
Anarquia significa ausência de coerção (ato de induzir, pressionar ou compelir alguém a fazer algo pela força, intimidação ou ameaça) e não a ausência de ordem. A noção equivocada de que anarquia é sinônimo de caos se popularizou entre o fim do século XIX e o início do século XX, através dos meios de comunicação e de propaganda patronais, mantidos por instituições políticas e religiosas.
Jovens ousavam nas letras inteligentíssimas. Burlavam a censura de maneira brilhante. No vídeo podemos notar a quantidade de policial infiltrado na platéia para qualquer eventual deslize nas composições das músicas, que na maioria das vezes, a censura não percebia. Por outro lado censurava a música por suposição, mesmo sem entender.
Mi – Cps, 21/08/10
Fonte ; http://is.gd/euCRx
Contexto Social com uma de suas músicas: Disparada
de: Geraldo Vandré e Theo de Barros interpretada por Jair Rodrigues
Prepare o seu coração Prás coisas Que eu vou contar
Eu venho lá do sertão Eu venho lá do sertão Eu venho lá do sertão E posso não lhe agradar...
Aprendi a dizer não Ver a morte sem chorar E a morte, o destino, tudo A morte e o destino, tudo Estava "fora do lugar” ( Ditadura Militar);
“Eu vivo prá consertar...” [viver para consertar – ser “pau para toda obra”, alguém com alguma consciência das mazelas se dispõe a mudar o regime].
Na “boiada” já fui boi (boiada = metáfora para pessoas, população ou povo)
Mas um dia me “montei” (montar = assumir a condição, marginal, de Ser-boi no rebanho que compõe o tecido social)
Não por um motivo meu Ou de quem comigo houvesse Que qualquer querer tivesse Porém por necessidade Do dono de uma boiada Cujo vaqueiro morreu...
Boiadeiro muito tempo Laço firme e braço forte Muito gado, muita gente Pela vida segurei Seguia como num sonho E boiadeiro era um rei... [o boiadeiro vira rei quando sai da sua condição de “Ser-boi”, tomando as rédeas dos demais (no comando sobre os outros) a pedido de um fazendeiro assumi novas responsabilidades, passa a adquirir uma nova posição dentro da boiada, vindo a ter, atitude similar a do fazendeiro (se sente um rei)].
Mas o mundo foi rodando Nas patas do meu cavalo E nos sonhos Que fui sonhando As visões se clareando As visões se clareando Até que um dia acordei... [tomada de consciência, que de rei volta a se reconhecer como Ser-boi. E o acordar mostra isso perfeitamente (eu acordei para a realidade do mundo e para a minha realidade – a boiada e o Ser-boi].
Então não pude seguir Valente em lugar tenente E dono de gado e gente Porque gado a gente marca Tange, ferra, engorda e mata Mas com gente é diferente... [ruptura total com a ordem estabelecida! O boiadeiro, cônscio de sua condição existencial (dentro de uma sociedade de desprovidos e desigualdades), afirma que não pode mais ser um rei, aquilo ali não era ele. E a justificativa é simples e impactante: gente é gente, é ser humano (ele clama por sua humanidade, por sua condição de sujeito) e não gado (que a gente tange, ferra, engorda e mata – como o fazendeiro faz com seus trabalhadores, ou em sentido macro-cósmico como a burguesia global faz com a massa de trabalhadores)].
Se você não concordar Não posso me desculpar Não canto prá enganar Vou pegar minha viola Vou deixar você de lado Vou cantar noutro lugar
Na boiada já fui boi Boiadeiro já fui rei Não por mim nem por ninguém Que junto comigo houvesse Que quisesse ou que pudesse Por qualquer coisa de seu Por qualquer coisa de seu Querer ir mais longe Do que eu...
Mas o mundo foi rodando Nas patas do meu cavalo E já que um dia montei Agora sou cavaleiro Laço firme e braço forte Num reino que não tem rei [o boiadeiro chega a uma conclusão final – de que ele só será forte, verdadeiramente forte, se estiver em um reino onde não há mais um rei (anarquia)].
Anarquia significa ausência de coerção (ato de induzir, pressionar ou compelir alguém a fazer algo pela força, intimidação ou ameaça) e não a ausência de ordem. A noção equivocada de que anarquia é sinônimo de caos se popularizou entre o fim do século XIX e o início do século XX, através dos meios de comunicação e de propaganda patronais, mantidos por instituições políticas e religiosas.
Jovens ousavam nas letras inteligentíssimas. Burlavam a censura de maneira brilhante. No vídeo podemos notar a quantidade de policial infiltrado na platéia para qualquer eventual deslize nas composições das músicas, que na maioria das vezes, a censura não percebia. Por outro lado censurava a música por suposição, mesmo sem entender.
Mi – Cps, 21/08/10
Fonte ; http://is.gd/euCRx
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Gerações
Conjunto de indivíduos nascidos em uma mesma época, cujo contexto histórico foi determinante no comportamento que impactou a evolução da sociedade. Profissionais de faixas etárias diferentes no mesmo ambiente empresarial, não escapam dos conflitos de gerações.
Não se pode fazer uma mesma análise de fatores que impulsionam cada geração para todas as culturas. Estudos mundiais estimulam cada país a entender suas gerações e papéis de acordo com sua própria história.
Todas as gerações transgridem e ousam em inovar de formas peculiares. Encontrar, momentos da história que determinaram tais mudanças, formas de transgressão está em observar a importância evolutiva.
Na disponibilidade panorâmica conceituais da cultura americana, européia e brasileira, as diferentes gerações têm estas classificações:
● Os veteranos - Nasceram entre 1925 e 1945, período das grandes crises econômicas. Época da 2ª Guerra Mundial. Devido às dificuldades que viveram, são pessoas mais rígidas e respeitam regras.
● Baby Boomers - Do início dos anos 50, logo após a 2ª guerra, período incrivelmente de alta natalidade. São chamadas de Baby Boomers, analogia a um “boom” (pool, explosão) de bebês no mundo! Época da globalização, do homem à lua, capitalismo, consumismo, Rock and Roll, movimento Hippie, contestação política e social e os movimentos pela paz. Viveram a guerra do Vietnã, ideologia libertária e o feminismo, entre muitos outros movimentos que mudaram a sociedade. Tais fatores explicam muito sobre o modo contestador de pensar e a luta por seus direitos.
● A Geração X - De 1965 e 1981. Geração de um mundo novo, sem perspectivas idealizadoras, tendo que se conformar com um padrão de vida mais realista e consumista em plena Guerra Fria.
● Geração Y - Conhecida como Geração Millennials ou Geração da Internet, conceito de Sociológico, segundo alguns autores, aos nascidos após 1980. Geração que adora feedback, é multitarefa, concilia lazer e trabalho, ligada em tecnologia e novas mídias. Mudaram completamente as formas de comunicação tanto em casa, no trabalho quanto com os amigos. São de um período favorecido economicamente e tiveram total liberdade em casa, como nenhuma outra geração teve. http://is.gd/cGcS1
● No Brasil houve uma geração intermediária entre Baby Boommers e a Geração X. Jovens que tentaram “MUDAR” o País. O tempo passou e nada foi mudado naquela geração. Seus ideais ficaram marcados, só nas fotografias. Quem entendia o significado do sistema e não concordava em fazer parte dele contavam com várias opções: exilo prisões, estupros, torturas e mortes. Muitos foram exilados, presos, mortos, torturados e estuprados. Outros, nem sabiam que eram usados, até exibiam um slogan “AME-O ou DEIXE-O”, sem a menor noção do que aquilo representava e o pior, tememos que ainda hoje não saibam ou nunca enxergaram a realidade. Era parte do sistema querer o povo ignorante e tiveram.
É duro, porém verídico! Por isso ao interpretar uma musica, há necessidade que se saiba em que época foi escrita, muitas letras tinham alfinetadas políticas e retratavam a realidade dos jovens com idéias rebeldes e revolucionarias. Com o passar do tempo nós amadurecemos e chegamos a conclusão que depois de um bom tempo de vida, já a interpretamos com maior leveza possível.
A letra da música abaixo era uma carta escrita ao amigo exilado em Lisboa e não poderia ser enviada, pois haviam militares incumbidos de revisá-las para que não fosse divulgado o horror que vivia o Brasil. A Embratel com tarifas exorbitantes também inibiam a comunicação entre "rebeldes" (nome dado àqueles que não aceitavam o regime), além da vigilância dos grampos.
Na época, eles eram proibidos de falarem abertamente. Então, Chico Buarque escreveu esta canção-carta para informar ao amigo Augusto Boal, que era contra o regime militar.
A estrofe que se refere a “Aqui na terra tão jogando futebol Tem muito samba, muito choro e rock’n'roll Uns dias chove, noutros dias bate sol”, Chico ironiza para dizer ao amigo que nada mudou. Quando o mesmo refere para aguentar a situação é necessário viver de aparência idealizar uma falsa alegria que se consegue com cachaça, cigarro, carinho.
Era natural que exilados quisessem saber notícia do Brasil, mas com correspondências violadas tinham o cuidado em escrevê-las metaforicamente para criticar a paixão desmedida do povo brasileiro pelo futebol e pelo carnaval que o cegava para os problemas reais. Dias bons outros ruins = difícil custo de vida. Mutretas, maracutaias que o povo engolia. “A gente vai tomando” = pancadas que eram distribuídas gratuitamente…
Nesta letra Chico e Hine fazem homenagem ao Augusto Boal que recebeu a fita cassete por sua mãe, enquanto almoçava com Paulo Freire, Darcy Ribeiro e sua esposa Cecília... Boal exilado vivia chateado porque Chico nunca respondia suas cartas... Chico teve a percepção genial de prestar homenagem ao Boal em vida... Jorge Schweitzer - http://is.gd/cGcEy
Mí Cps, 07/06/10
Incluí em 20/11/10
Baby Bummers – Nascida no fim da Segunda Guerra (anos 45) até a metade dos anos 65
Geração X – Nascida na 2ª metade dos anos 65 até os anos 70
Geração Y – nascida nos anos 80 até meados dos anos 90
Geração Z - Nascida da 2ª metade dos anos 90
As diferentes gerações de trabalhadores http://is.gd/hslrt
Convívio e conflitos das gerações nas empresas http://is.gd/hslzM
Os desafios das empresas para manter talentos Y http://is.gd/hslSB
Y cria e dirige empresas no Brasil e no exterior http://is.gd/hsm7C
Z nasceu repleta de tecnologias http://is.gd/hsmoH
As gerações precisarão de criatividade para sobreviverem! http://is.gd/hsmyr
Não se pode fazer uma mesma análise de fatores que impulsionam cada geração para todas as culturas. Estudos mundiais estimulam cada país a entender suas gerações e papéis de acordo com sua própria história.
Todas as gerações transgridem e ousam em inovar de formas peculiares. Encontrar, momentos da história que determinaram tais mudanças, formas de transgressão está em observar a importância evolutiva.
Na disponibilidade panorâmica conceituais da cultura americana, européia e brasileira, as diferentes gerações têm estas classificações:
● Os veteranos - Nasceram entre 1925 e 1945, período das grandes crises econômicas. Época da 2ª Guerra Mundial. Devido às dificuldades que viveram, são pessoas mais rígidas e respeitam regras.
● Baby Boomers - Do início dos anos 50, logo após a 2ª guerra, período incrivelmente de alta natalidade. São chamadas de Baby Boomers, analogia a um “boom” (pool, explosão) de bebês no mundo! Época da globalização, do homem à lua, capitalismo, consumismo, Rock and Roll, movimento Hippie, contestação política e social e os movimentos pela paz. Viveram a guerra do Vietnã, ideologia libertária e o feminismo, entre muitos outros movimentos que mudaram a sociedade. Tais fatores explicam muito sobre o modo contestador de pensar e a luta por seus direitos.
● A Geração X - De 1965 e 1981. Geração de um mundo novo, sem perspectivas idealizadoras, tendo que se conformar com um padrão de vida mais realista e consumista em plena Guerra Fria.
● Geração Y - Conhecida como Geração Millennials ou Geração da Internet, conceito de Sociológico, segundo alguns autores, aos nascidos após 1980. Geração que adora feedback, é multitarefa, concilia lazer e trabalho, ligada em tecnologia e novas mídias. Mudaram completamente as formas de comunicação tanto em casa, no trabalho quanto com os amigos. São de um período favorecido economicamente e tiveram total liberdade em casa, como nenhuma outra geração teve. http://is.gd/cGcS1
● No Brasil houve uma geração intermediária entre Baby Boommers e a Geração X. Jovens que tentaram “MUDAR” o País. O tempo passou e nada foi mudado naquela geração. Seus ideais ficaram marcados, só nas fotografias. Quem entendia o significado do sistema e não concordava em fazer parte dele contavam com várias opções: exilo prisões, estupros, torturas e mortes. Muitos foram exilados, presos, mortos, torturados e estuprados. Outros, nem sabiam que eram usados, até exibiam um slogan “AME-O ou DEIXE-O”, sem a menor noção do que aquilo representava e o pior, tememos que ainda hoje não saibam ou nunca enxergaram a realidade. Era parte do sistema querer o povo ignorante e tiveram.
É duro, porém verídico! Por isso ao interpretar uma musica, há necessidade que se saiba em que época foi escrita, muitas letras tinham alfinetadas políticas e retratavam a realidade dos jovens com idéias rebeldes e revolucionarias. Com o passar do tempo nós amadurecemos e chegamos a conclusão que depois de um bom tempo de vida, já a interpretamos com maior leveza possível.
A letra da música abaixo era uma carta escrita ao amigo exilado em Lisboa e não poderia ser enviada, pois haviam militares incumbidos de revisá-las para que não fosse divulgado o horror que vivia o Brasil. A Embratel com tarifas exorbitantes também inibiam a comunicação entre "rebeldes" (nome dado àqueles que não aceitavam o regime), além da vigilância dos grampos.
Na época, eles eram proibidos de falarem abertamente. Então, Chico Buarque escreveu esta canção-carta para informar ao amigo Augusto Boal, que era contra o regime militar.
A estrofe que se refere a “Aqui na terra tão jogando futebol Tem muito samba, muito choro e rock’n'roll Uns dias chove, noutros dias bate sol”, Chico ironiza para dizer ao amigo que nada mudou. Quando o mesmo refere para aguentar a situação é necessário viver de aparência idealizar uma falsa alegria que se consegue com cachaça, cigarro, carinho.
Era natural que exilados quisessem saber notícia do Brasil, mas com correspondências violadas tinham o cuidado em escrevê-las metaforicamente para criticar a paixão desmedida do povo brasileiro pelo futebol e pelo carnaval que o cegava para os problemas reais. Dias bons outros ruins = difícil custo de vida. Mutretas, maracutaias que o povo engolia. “A gente vai tomando” = pancadas que eram distribuídas gratuitamente…
Nesta letra Chico e Hine fazem homenagem ao Augusto Boal que recebeu a fita cassete por sua mãe, enquanto almoçava com Paulo Freire, Darcy Ribeiro e sua esposa Cecília... Boal exilado vivia chateado porque Chico nunca respondia suas cartas... Chico teve a percepção genial de prestar homenagem ao Boal em vida... Jorge Schweitzer - http://is.gd/cGcEy
Mí Cps, 07/06/10
Incluí em 20/11/10
Baby Bummers – Nascida no fim da Segunda Guerra (anos 45) até a metade dos anos 65
Geração X – Nascida na 2ª metade dos anos 65 até os anos 70
Geração Y – nascida nos anos 80 até meados dos anos 90
Geração Z - Nascida da 2ª metade dos anos 90
As diferentes gerações de trabalhadores http://is.gd/hslrt
Convívio e conflitos das gerações nas empresas http://is.gd/hslzM
Os desafios das empresas para manter talentos Y http://is.gd/hslSB
Y cria e dirige empresas no Brasil e no exterior http://is.gd/hsm7C
Z nasceu repleta de tecnologias http://is.gd/hsmoH
As gerações precisarão de criatividade para sobreviverem! http://is.gd/hsmyr
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Diferenças e mudanças
Sampa - Caetano Veloso
Gostaria de saber mais sobre as analogias e metáfora dessa letra
Comentário por Sandra — 8 de outubro de 2008 A despeito de “Sampa” ter sido composta no final dos anos 70, Caetano procurou colocar nos versos a primeira impressão que teve da grande metrópole quando lá desembarcou, ainda na década de 60.
O baiano Caetano canta com a campineira Sandy http://is.gd/bC9FS
Comentário por BEb — 5 de novembro de 2008
http://analisedeletras.com.br/caetano-veloso/sampa/
Gostaria de saber mais sobre as analogias e metáfora dessa letra Comentário por Sandra — 8 de outubro de 2008 A despeito de “Sampa” ter sido composta no final dos anos 70, Caetano procurou colocar nos versos a primeira impressão que teve da grande metrópole quando lá desembarcou, ainda na década de 60.
Vindo de um espaço ainda muito ligado à natureza, o baiano sentiu o estranhamento diante de tudo o que viu, e procurou mostrar o conflito estabelecido entre inocência versus ciência, com esta última tornando-se responsável pela destruição dos valores realmente humanos, do aniquilamento e da insignificância do homem na cidade.
A emoção ao “cruzar a Ipiranga com a São João” se dá pelo fato que ele desceu do ônibus que veio do Rio de Janeiro cujo ponto final era exatamente naquela esquina. Diante dos seus olhos lá estavam a Cinelândia, o bar Jeca, e o Brahma.
No verso “da força da grana que ergue e destrói coisas belas…” quer mostrar a dualidade para o bem e para o mal que existe em tudo e em todos.
Este conflito fica bem evidente nos versos: “E foste um difícil começo (…) E quem vem de outro sonho feliz de cidade / Aprende depressa a chamar-te de realidade…”.
Os versos de “Sampa” expressam o fascínio e a repulsa, o conflito diante do novo e desconhecido, deixando implícita a ambigüidade da questão: Seria a felicidade possível naquela cidade?
Conhecer seus segredos, seus mistérios, encantar-se com sua sedução, atingir o topo das realizações, enfim tornar realidade os seus sonhos, eis o que todos os migrantes esperam ao chegar em “Sampa”.
A emoção ao “cruzar a Ipiranga com a São João” se dá pelo fato que ele desceu do ônibus que veio do Rio de Janeiro cujo ponto final era exatamente naquela esquina. Diante dos seus olhos lá estavam a Cinelândia, o bar Jeca, e o Brahma. No verso “Da dura poesia concreta e tuas esquinas…” ele faz uma homenagem aos poetas paulistanos criadores do movimento modernista, onde se incluía a poesia concreta.
“A deselegância discreta de tuas meninas…” Se dá pelo fato de que naquele tempo Caetano era uma figurinha um tanto quanto exótica, daí sua grande cabeleira ter chamado a atenção das meninas que cochichavam com risinhos discretos.
Enquanto atravessava a São João para a Ipiranga, ainda atônito, procurava na multidão um rosto com quem pudesse se identificar, e na sua visão tropicalista achou de mau gosto o jeito dos paulistanos, mas também faz uma auto-crítica e considera que o erro estético não está,
necessariamente, nos paulistanos, mas sim nele mesmo, pois sua mente se “apavora no que ainda não é mesmo velho / nada do não era antes” (da visão que trazia da sua cidade) e que ele talvez ainda não seja capaz de alcançar aquela modernidade pois ainda não é um “mutante”, e aqui ele faz uma homenagem aos seus amigos do grupo “Mutantes”, bem como à Rita Lee.
necessariamente, nos paulistanos, mas sim nele mesmo, pois sua mente se “apavora no que ainda não é mesmo velho / nada do não era antes” (da visão que trazia da sua cidade) e que ele talvez ainda não seja capaz de alcançar aquela modernidade pois ainda não é um “mutante”, e aqui ele faz uma homenagem aos seus amigos do grupo “Mutantes”, bem como à Rita Lee. Refeito do primeiro impacto, o sentimento seguinte foi de solidão, pois embora no meio da multidão, não encontrava a sua própria imagem refletida nas feições dos paulistanos.
Diante da realidade do momento acha que encontrou o avesso do que sonhava.
Diante da realidade do momento acha que encontrou o avesso do que sonhava.
Para se justificar da decepção, fala do lado ruim do que vê: filas, poluição, o povo oprimido, da modernidade, o novo excluindo o antigo, tudo tão diferente da simplicidade da sua terra natal.
No verso “da força da grana que ergue e destrói coisas belas…” quer mostrar a dualidade para o bem e para o mal que existe em tudo e em todos.
Quando cita “Panaméricas”, ele se refere a um amigo escritor paulistano, José Agripino de Paula, autor do livro “Panamérica”.
“Túmulo do samba” é uma expressão atribuída a Vinicius de Moraes que afirmava que os compositores paulistas não possuíam ritmo e gingado de sambistas, que batizou São Paulo como o túmulo do samba, e considerava que o único local onde se fazia samba de verdade era nos “Quilombos”.
O baiano Caetano canta com a campineira Sandy http://is.gd/bC9FS
Comentário por BEb — 5 de novembro de 2008
http://analisedeletras.com.br/caetano-veloso/sampa/
terça-feira, 20 de abril de 2010
Dor de amor
“Chão de giz”
Zé Ramalho teve, em sua juventude, um caso duradouro com uma mulher casada, bem mais velha, da alta sociedade de João Pessoa, na Paraíba. Ambos se conheceram num Carnaval.
Ele se apaixonou perdidamente por esta mulher, porém ela era casada
com uma pessoa influente da sociedade, e nunca iria largar toda aquela vida por um “garoto pé rapado” que ela apenas “usava”.
Assim, o caso, que tomava proporções grandes, foi terminado. Zé ficou arrasado por meses, e chegou a mudar de bairro, pois morava próximo a ela. E, nesse período de sofrimento, compôs essa canção.
Explicação para cada frase da música descrita por euniceeli em 24/07/08:
“Eu desço dessa solidão, espalho coisas sobre um chão de giz” Um de seus hábitos, no sofrimento, era espalhar pelo chão todas as coisas que lembravam o caso dos dois. O chão de giz também indica a fugacidade do relacionamento, facilmente.
“Há meros devaneios tolos a me torturar” Devaneios, viagens, a lembrança dela a torturá-lo.
“Fotografias recortadas de jornais de folhas amiúde” Outro hábito seu era recortar e admirar TODAS as fotos dela que saiam nos jornais - lembrem-se, ela era da alta sociedade, sempre estava nas colunas sociais.
“Eu vou te jogar num pano de guardar confetes” Pano de guardar confetes são aqueles balaios ou sacos típico das costureiras do nordeste, onde elas jogam restos de pano, papel, etc. Aqui, ele diz que vai jogar as fotos dela fora num pano de guardar confetes, para não mais ficar olhando-as.
“Disparo balas de canhão, é inútil pois existe um grão vizir” Ele tenta ficar com ela de todas as formas, mas é inútil pois ela é casada com o tal figurão rico.
“Há tantas violetas velhas sem um colibri” Aqui ele pega pesado com ela… há tantas violetas velhas (como ela, bela, mas velha) sem um colibri (jovem pássaro que a admire). Aqui ele tenta novamente convencê-la simbolicamente, destacando a sorte dela - violeta velha - poder ter um colibri e rejeitá-lo.
“Queria usar quem sabe uma camisa de força ou de vênus” Bem, aqui é a clara dualidade do sentimento dele. Ao mesmo tempo que quer usar uma camisa de força, para manter-se distante dela e não sofrer mais, queria também usar uma camisa de vênus, para transar com ela.
“Mas não vou gozar de nós apenas um cigarro” Novamente ele invoca a fugacidade do amor dela por ele, que o queria apenas para “gozar o tempo de um cigarro”. Percebe-se o tempo todo que ele sente por ela profundo amor e tesão, enquanto é correspondido apenas com o tesão, com o gozo que dura o tempo de se fumar um cigarr…
“Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom” Para que beijá-la, “gastando o seu batom” (o seu amor), se ela quer apenas o sexo?
“Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra vez” Novamente ele resolve ir embora, após constatar que é inútil tentar. Mas, apaixonado como está, vai novamente “à lona” - expressão que significa ir a nocaute no boxe, mas que também significa a lona do caminhão com o qual ele foi embora - lembrem-se que ele teve que se mudar de sua residência para “fugir” desse amor doentio!
“Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar” Auto-explicativo, né?! Esse amor que, para sempre, irá acorrentá-lo, amor inesquecível.
“Meus vinte anos de boy, “that’s over, baby” , Freud explica” Ele era bem mais novo que ela. Ele era um boy, ela era uma dama da sociedade. Freud explica um amor desse (complexo de édipo, talvez?). Em …
“Não vou me sujar fumando apenas um cigarro” Ele não vai se sujar transando apenas mais uma vez com ela, sabendo que nunca passará disso!
“Quanto ao pano dos confetes, já passou meu carnaval” Lembrem-se, eles se conheceram num carnaval. Voltando a falar das fotos dela, que ele iria jogar num pano de guardar confetes, ele consolida o fim, dizendo que agora já passou seu carnaval, ou seja, terminou, passou o momento.
“E isso explica porque o sexo é assunto popular” Aqui ele faz um arremate do que parece ter sido apenas o que restou do amor dele por ela (ou dela por ele): sexo. Por isso o sexo é tão popular, pois só ele é valorizado- uma constatação amarga para ele, nesse caso. Há quem veja também aqui uma referência do sexo a ela através do termo “popular”, que se referiria ao jornal (populares), e ela sempre estava nos jornais, ele sempre a via neles.
“No mais estou indo embora” Bem, aqui é o fechamento. Após sofrer tanto e depois desabafar, dizendo tudo que pensa a ela na canção, só resta-lhe ir embora.
A explicação geral foi dada pelo próprio Zé Ramalho
Por euniceely — 24 de julho de 2008
http://analisedeletras.com.br/ze-ramalho/chao-de-giz/
A música
Chão de Giz de: Zé Ramalho
Eu desço dessa solidão, espalho coisas sobre um chão de giz
Há meros devaneios tolos a me torturar
Fotografias recortadas em jornais de folhas amiúde
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
Disparo balas de canhão, é inútil pois existe um grão vizir
Há tantas violetas velhas sem um colibri
Queria usar quem sabe uma camisa de força ou de vênus
Mas não vão gozar de nós apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom
Introdução
Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra vez
Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar
Meus vinte anos de "boy, that's over, baby" , Freud explica
Não vou me sujar fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo é assunto popular
no mais estou indo embora 3x
No mais…
Zé Ramalho teve, em sua juventude, um caso duradouro com uma mulher casada, bem mais velha, da alta sociedade de João Pessoa, na Paraíba. Ambos se conheceram num Carnaval. Ele se apaixonou perdidamente por esta mulher, porém ela era casada
com uma pessoa influente da sociedade, e nunca iria largar toda aquela vida por um “garoto pé rapado” que ela apenas “usava”.
Assim, o caso, que tomava proporções grandes, foi terminado. Zé ficou arrasado por meses, e chegou a mudar de bairro, pois morava próximo a ela. E, nesse período de sofrimento, compôs essa canção.
Explicação para cada frase da música descrita por euniceeli em 24/07/08:
“Eu desço dessa solidão, espalho coisas sobre um chão de giz” Um de seus hábitos, no sofrimento, era espalhar pelo chão todas as coisas que lembravam o caso dos dois. O chão de giz também indica a fugacidade do relacionamento, facilmente.
“Há meros devaneios tolos a me torturar” Devaneios, viagens, a lembrança dela a torturá-lo.
“Fotografias recortadas de jornais de folhas amiúde” Outro hábito seu era recortar e admirar TODAS as fotos dela que saiam nos jornais - lembrem-se, ela era da alta sociedade, sempre estava nas colunas sociais.
“Eu vou te jogar num pano de guardar confetes” Pano de guardar confetes são aqueles balaios ou sacos típico das costureiras do nordeste, onde elas jogam restos de pano, papel, etc. Aqui, ele diz que vai jogar as fotos dela fora num pano de guardar confetes, para não mais ficar olhando-as.
“Disparo balas de canhão, é inútil pois existe um grão vizir” Ele tenta ficar com ela de todas as formas, mas é inútil pois ela é casada com o tal figurão rico.
“Há tantas violetas velhas sem um colibri” Aqui ele pega pesado com ela… há tantas violetas velhas (como ela, bela, mas velha) sem um colibri (jovem pássaro que a admire). Aqui ele tenta novamente convencê-la simbolicamente, destacando a sorte dela - violeta velha - poder ter um colibri e rejeitá-lo.
“Queria usar quem sabe uma camisa de força ou de vênus” Bem, aqui é a clara dualidade do sentimento dele. Ao mesmo tempo que quer usar uma camisa de força, para manter-se distante dela e não sofrer mais, queria também usar uma camisa de vênus, para transar com ela.
“Mas não vou gozar de nós apenas um cigarro” Novamente ele invoca a fugacidade do amor dela por ele, que o queria apenas para “gozar o tempo de um cigarro”. Percebe-se o tempo todo que ele sente por ela profundo amor e tesão, enquanto é correspondido apenas com o tesão, com o gozo que dura o tempo de se fumar um cigarr…
“Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom” Para que beijá-la, “gastando o seu batom” (o seu amor), se ela quer apenas o sexo?
“Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra vez” Novamente ele resolve ir embora, após constatar que é inútil tentar. Mas, apaixonado como está, vai novamente “à lona” - expressão que significa ir a nocaute no boxe, mas que também significa a lona do caminhão com o qual ele foi embora - lembrem-se que ele teve que se mudar de sua residência para “fugir” desse amor doentio!
“Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar” Auto-explicativo, né?! Esse amor que, para sempre, irá acorrentá-lo, amor inesquecível.
“Meus vinte anos de boy, “that’s over, baby” , Freud explica” Ele era bem mais novo que ela. Ele era um boy, ela era uma dama da sociedade. Freud explica um amor desse (complexo de édipo, talvez?). Em …
“Não vou me sujar fumando apenas um cigarro” Ele não vai se sujar transando apenas mais uma vez com ela, sabendo que nunca passará disso!
“Quanto ao pano dos confetes, já passou meu carnaval” Lembrem-se, eles se conheceram num carnaval. Voltando a falar das fotos dela, que ele iria jogar num pano de guardar confetes, ele consolida o fim, dizendo que agora já passou seu carnaval, ou seja, terminou, passou o momento.
“E isso explica porque o sexo é assunto popular” Aqui ele faz um arremate do que parece ter sido apenas o que restou do amor dele por ela (ou dela por ele): sexo. Por isso o sexo é tão popular, pois só ele é valorizado- uma constatação amarga para ele, nesse caso. Há quem veja também aqui uma referência do sexo a ela através do termo “popular”, que se referiria ao jornal (populares), e ela sempre estava nos jornais, ele sempre a via neles.
“No mais estou indo embora” Bem, aqui é o fechamento. Após sofrer tanto e depois desabafar, dizendo tudo que pensa a ela na canção, só resta-lhe ir embora.
A explicação geral foi dada pelo próprio Zé Ramalho
Por euniceely — 24 de julho de 2008
http://analisedeletras.com.br/ze-ramalho/chao-de-giz/
A música
Chão de Giz de: Zé Ramalho
Eu desço dessa solidão, espalho coisas sobre um chão de giz
Há meros devaneios tolos a me torturar
Fotografias recortadas em jornais de folhas amiúde
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
Disparo balas de canhão, é inútil pois existe um grão vizir
Há tantas violetas velhas sem um colibri
Queria usar quem sabe uma camisa de força ou de vênus
Mas não vão gozar de nós apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom
Introdução
Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra vez
Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar
Meus vinte anos de "boy, that's over, baby" , Freud explica
Não vou me sujar fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo é assunto popular
no mais estou indo embora 3x
No mais…
segunda-feira, 12 de abril de 2010
"Gita"
Gita é uma Power ballad composta por Raul Seixas e Paulo Coelho que faz alusão a um dos textos sagrados da cultura Védica (originaria da Ásia menor) o "Bhagavad-Gitā". Essa canção, faixa-título do quarto disco de Raul, ganhou disco de ouro, é considerada uma obra de arte na opinião dos admiradores de Raul Seixas, e ocupou o 12º lugar nas paradas de sucesso de 1974, ano de seu lançamento. A canção fora gravada posteriormente por Maria Bethânia (em show com Chico Buarque de Holanda), RPM e Rita Lee, e também foi regravada pela dupla sertaneja Milionário & José Rico.A intenção era de mostrar a onipresença, onisciência e onipotência de Deus, e fazer com que as pessoas lembrem que Deus está nas coisas mais simples, e também que Deus está até mesmo nas coisas ruins (como o blefe do jogador, ou as juras de maldição).
Mas isso, claro, sem deixar de frisar que Deus está em nós, mas para estarmos em Deus todos temos um caminho a trilhar ("Mas saiba que eu estou em você, mas você não está em mim"). Num especial de TV, quando perguntaram ao Raul porque Gita fez tanto sucesso, ele respondeu algo assim: "Porque fala de Deus em uma linguagem que todo mundo entende".
Bem! O nome da música: "Gita".faz alusão ao livro sagrado hindu, Bhagavad Gita que contém os ensinamentos de Krishna a Arjuna, onde várias vezes o Mestre - afirma "Eu sou". Afirmar que é, sendo, seria o encontro com a divindade. Há livros com estas afirmações para cada dia do ano, pratica filosofia. Segundo a história, viveu na Índia entre os séculos XV e XVI Arjuna (devoto de Kŗşņa). Numa guerra se viu obrigado a lutar contra membros de sua própria família. Diante de tal impasse rogou por Kŗşņa (ou Krishna), e esse em consideração à fidelidade de Arjuna mostrou sua verdadeira forma e aconselhou-o recitar no campo de batalha, o "Bhagavad-Gitā". Na cultura Védica acredita-se que a divindade possua três formas; Kŗşņa seria a forma materializada de Deus.
Raul e Paulo estudaram esoterismo e experimentaram muitos rituais (incluindo magia negra). Raul não veio a comentar com clareza e detalhes sua experiência. Já Paulo posteriormente declarou que não havia gostado das experiências por que passara. Raul aborda com certa frequência em suas músicas a figura do diabo, muitas vezes de forma simpática como em O Rock do Diabo, mas uma análise mais profunda revela que este diabo é figurativo e representaivo da negação ao pensamento cristão-conservador comum.

Paulo e Raul foram parceiros na composição de alguns dos maiores sucessos de Raul Seixas como Sociedade Alternativa, Gita, Há Dez Mil Anos Atrás, Canto Para Minha Morte, entre outros. Membros de sociedades anteriores (Raul da Grã Ordem Kavernista e Paulo da Sociedade da Besta do Apocalipse) fundaram a Sociedade Alternativa baseada nos pensamentos de Aleister Crowley (filósofo Inglês do século 19, considerado por muitos um bruxo). Em comum tinham Paulo e Raul, grande interesse por assuntos esotéricos e fascínio pela busca espiritual, época que como hippie, viajava pelo mundo, resultou numa série de experiências em sociedades secretas, religiões orientais, etc. Hoje Paulo, escritor filósofo e letrista se diz cristão católico.
De certa forma é sim o "canto de Deus". Só que, talvez, não seja o Deus que sabemos... http://is.gd/bplnT
Mi – Cps, 12/04/10
Fonte fiel do Blog - www.interpretamos.blogspot.com
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
A importância da Arte Literária no Brasil
Arte Literária sob a visão marxista é parte da Ideologia, mas pode se distanciar ou confrontar com a classe dominante e a crítica inserida na arte camufla denúncia e mimetiza a realidade.
Brasil, anos 70 - Ditadura Militar e Zé Ramalho lança a música “Admirável Gado Novo”.
A letra induz a analise do social, luta de classes e a manutenção do modelo social através da alienação do povo, na metáfora de gados ou boiadas.
Crítica ao regime ditatorial do período em que ela foi composta e sistema capitalista, época tão nebulosa do Brasil, onde a sociedade era controlada, condicionada e parecia conformada.
O exemplo da ordem de um “admirável” mundo, escondia as desigualdades e máculas sociais.
O ponto forte da música referente a sociedade é quando caracteriza a legítima exploração de uma classe sobre as outras e na expressão “massa” é o coletivo que o capitalismo impõe aos indivíduos.
A muita produtividade impede pessoas ao acesso à educação e ao conhecimento, é o “dar muito mais do que receber” (modo de produção capitalista onde o trabalhador produz muito e recebe pouco).
A condição da classe dominada aumenta o lucro dos donos dos meios de produção e igualmente degrada o trabalhador que quanto mais trabalha menos recebe.
No Brasil vemos nos campos, trabalhos em regimes escravocratas; nas cidades, as altas cargas de trabalho que constantemente suprimi os direitos trabalhistas.
“E ter que demonstrar sua coragem à margem do que possa parecer” retrata a manifestação de um povo sofrido com o sistema, porém, sempre alegre.
“E ver que toda essa engrenagem já sente a ferrugem lhe comer...” refere-se tanto à autodestruição do capitalismo quanto a derrota do regime militar que vigorava na época.
No pensamento marxista: “o Capitalismo se autodestruiria, e venceria o Socialismo, trabalhadores formariam uma sociedade baseada na propriedade coletiva dos meios de produção, todo sistema econômico traz no seu embrião as contradições que irão destruí-lo por meio da luta de classes”.
“...vida de gado, povo marcado, povo feliz!” é o gado, manipulado (submisso, conformado, se deixa ordenhar, direcionar pelos seus “donos”) e explorado (carne, leite, couro, etc.) do nascimento até a morte. Sem contar com métodos usados para alienar, sem que os mesmos percebam evitando assim o entendimento e o questionamento favorecendo àqueles que detêm o poder, pois onde a corrupção, a impunidade é muito maior e agrava a desigualdade e os demais problemas sociais.
A massa manipulada ao bel prazer das grandes mídias, guiada a caminhos que desconhece e para fugir dos problemas, assistia programas de baixa qualidade sem questionar, assim fugia da realidade e adentravam num preocupante estado de alienação e descomprometimento social.
Lembrando que decisões mais importantes do país, (como a Independência e a Proclamação da República, por exemplo) camadas pobres da sociedade ficavam à margem de todos esses acontecimentos.
No contexto histórico em que se insere a música, o Brasil está no auge da Ditadura Militar, milhares de intelectuais e oposicionistas foram perseguidos, mortos e exilados, então artistas usam a arma do simbolismo, da metáfora, da duplicidade de sentido.
Começo de 70 o país em êxtase com a conquista da Copa do Mundo e o “Milagre Econômico”, pela invasão das multinacionais, o Governo Militar de Garrastazu Médici trata de esbanjar propagandas do regime, levando a “massa” ao entorpecimento quase total.
“lá fora faz um tempo confortável, a vigilância cuida do normal”, frase dirigida aos donos do poder, cuidar do normal e manter a “ordem” das coisas na menção simbólica à perseguição aos opositores do regime e a forma como esse sistema era mantido com o “gado” à margem da realidade da situação.
“... contemplam essa vida numa cela...” prisão é a ignorância, é o sujeitar-se a, o conformismo que dificulta a visão crítica e transformadora da sociedade, preso ao sistema e dirigido por vontades alheias, igual o rebanho no curral.
“E esperam nova possibilidade, de verem esse mundo se acabar, a arca de Noé, o dirigível, não voam nem se pode flutuar...” é a religião onde o povo foge dos problemas.
Que na própria visão de Marx a religião é a droga que anima e faz com que o explorado aceite dificuldades como sendo natural; é o suspiro oprimido, coração de um mundo sem coração e alma de condições desalmadas.
“...povo marcado sim, povo feliz!” a música foi um grito de alerta que ajudou o povo a entender a situação e a lutar para não ter uma vida de gado.
Parabéns ao Zé Ramalho e outros, pela brilhante participação na luta pelo Brasil! Muito obrigada! http://is.gd/5GG1e
Nada diferente de hoje, só que a música em nada mais contribui e o "gado" faz questão de continuar a margem da ralidade. Impressionante!
Mi - Cps, 18/02/07
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