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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O vazio existencial

Viktor Frankl, médico psiquiatra e psicólogo, pai da Logoterapia, que estuda o sentido existencial do indivíduo e a dimensão espiritual da existência. Segundo ele, existiria no ser humano mais precisamente percebido em seus pacientes, um desejo ou uma vontade de “sentido”, que difere do complexo como o de inferioridade (Adler) ou o de frustrações sexuais (Freud), chamado O Vazio Existencial. http://is.gd/eNDjP



Analisemos Elvis Presley

Intermináveis turnês, rotinas repetitivas, coração repleto de decepções pessoais, monotonia da estrada exerceram influência na dependência em drogas prescritas.

A mente do ídolo alegava precisar delas para manter-se no palco e para dormir, após as apresentações. O uso excessivo evoluiu a um nível de abuso assustador.

Existe um conceito errado de que foi preguiçoso e se recolhia por longos períodos. Suas agendas, provaram ser uma inverdade. Mas, já demonstrava um quadro deprimido, insatisfeito e de entusiasmo minguante. A RCA enviou seu caminhão de gravação para ele trabalhar no conforto de sua casa.

Elvis percebeu a extensão de seu declínio, a autoconsciência estava nas seleções musicais. O último álbum de estúdio "Moody Blue" traz nas letras de "He'll Have to Go" e "She Thinks I Still Care", casos de amor mal sucedidos, finais amargos de relacionamentos desesperançosos. (álbum melancólico lançado um mês antes de sua morte).

Esse álbum alcançou a 3ª posição na Billboard por 31 semanas e rendeu um disco de platina. A impressão original de Moody Blue produziu 200 mil cópias em vinil azul transparente. Os fãs se referem a esse "Álbum Azul" apropriado pela cor e pelo estado de espírito de Elvis.


Declínio físico e espiritual estavam ligados.

As razões e explicações do comportamento de rei foram discutidas, menosprezadas, interpretadas e exageradas por décadas. Seu isolamento do mundo exterior resultou em um estilo de vida nada convencional.

Quando iniciou a carreira, permitia aos fãs acesso sem precedentes a ele e sua família.

O tempo passou, os fãs se tornaram grandiosos para ele lidar e, às vezes, cercado por multidões de "admiradores-adoradores". Tornou-se inviável.
Já desestimulado, deprimido, não podia passear, comer em restaurante, ir à igreja ou se divertir em público sem que seus fãs o assediassem.

Ao ser dispensado do exército começou a viver como um recluso, acumulando aborrecimento que o levou a hábitos destrutivos acelerantes. (http://is.gd/huMwBw )

A dependência de medicamentos alterou seu comportamento, de acordo com seus guarda-costas e amigos começou a usar anfetaminas e pílulas para emagrecer. A droga tinha o objetivo de ajudá-lo a manter seu peso, mas para contrabalançar começou a tomar pílulas para dormir, que o levou a um estado total de limbo mental.

Prescritas para dores nas costas, problemas digestivos, oculares, incluindo glaucoma. Eram mais drogas do que seu corpo podia aguentar. Os tratamentos para essas condições levaram-no ao hospital várias vezes por engasgamentos, pleurisia e hipertensão. Raramente cedeu ao álcool e freqüentemente se pronunciava contra o uso de drogas ilegais.

Ansiedade, melancolia na visão de Frankl.

(...) A neurose revela antes de qualquer coisa um ser frustrado de sentido, que não é nem a exigência fundamental do homem, nem a emancipação sexual, nem a valorização do self, mas a "plenitude de sentido", a compensação sexual não seria nada além de um Ersatz ou seja, um substututo para o sentido existencial. Por isso, não se negligencia a espiritualidade do analisado e a logoterapia passa a estar centrada no inconsciente espiritual, mais do que nas pulsões.
Os hábitos alimentares ficaram extremamente exagerados, se descontrolava com a comida durante seu tempo livre.

Já aos 20 anos comia vários cheesebúrgueres de uma só vez, manteiga de amendoim e sanduíches de banana amassada com muita Pepsi. Eram tantos omeletes espanhóis, carnes fritas, bacon, sorvete e pizza repetidas diariamente, seu consumo diário passava de 10mil calorias!

Engordou e muito. (ansiedade)
Nem todos os excessos eram prejudiciais à sua saúde, jóias exuberantes, medalhões enormes, cintos dourados, braceletes, corrente de ouro com a Estrela de David marca a fé, bengalas adornadas com topos de prata ou ouro.

Jóias caras eram para si e a todos, Sammy Davis, Jr ganhou dele um anel de US$ 30 mil. Mania de comprar carros, motos e outros veículos, amou um Cadillac e comprou mais de 100.

Comprava carro novo para ele, para quem estivesse junto no momento, inclusive para clientes que estavam na loja. Também presenteava crianças que brincavam em playground.

Colecionava armas caras. Carregou uma consigo nos palcos, viagens, aviões e hotéis durante muito tempo devido ameaças de morte e seqüestros. Acreditava que assassinos buscavam glória e atenção ao tentavam matar famosos e que ele era alvo tão provável quanto ao presidente. A vedete da coleção era uma insígnia do Dpto. Federal de narcóticos e um conjunto completo de credenciais, que ganhou do Presidente Richard Nixon.

A sua paixão pelo cumprimento da lei revela uma vida além das limitações da norma.
Isolamento combinado aos privilégios de celebridade o levou à autodestruição, vida dentro das paredes, onde não havia ninguém suficiente para interromper as indulgências do rei intensificadas depois do divórcio com Priscilla. 

Hábitos sombrios a tal ponto que somente sua figura poderia ser excêntrica em proporções dessa magnitude e ainda padrões de meditações feito em excessos comumente relatados (http://is.gd/9UJ0lv )

Por todos os detalhes revelados após sua morte, uma parte permaneceu imaculada: a voz, que soava clara e verdadeira desde que gravou "That's All Right", até o dia 26/06/1977 que se apresentou pela última vez no Market Square Arena, em Indianápolis.





Frankl considera que a neurose individual pode ser, em alguns casos, a expressão da recusa da religião. Em sua obra, não recomenda nenhuma religião ou confissão constituída, muito menos alguma Igreja em especial.

Quem sabe um pouco da vida de Elvis entende facilmente o que procurava e ninguém pode negar, ele viveu um conflito espiritual devastador. Nos documentários há relatos de que bastava terminar um show em qualquer lugar onde estivesse. Reunia seus cantores em sua suíte e passavam horas cantando gospel e vez outra entrava nas dependências particulares para orar. A fama o impedia de freqüentar cultos nas igrejas, então incessantemente ligava para seus pastores a procura de orientações espirituais. ( http://is.gd/fY6RqZ )

Na filosofia de Viktor Frankl, "o sentido existencial do indivíduo e a dimensão espiritual da existência é fundamentalmente otimista se baseada na crença" - fruto de sua experiência pessoal - "de que, o fim último da existência humana tem uma meta fora do próprio indivíduo, fim este que lhe dá o sentido da própria existência".

No livro A Busca do Homem por Sentido de1946, Frankl relata suas experiências como interno de campo de concentração, descrevendo seu método psicoterapêutico para encontrar sentido em todas as formas de existência (mesmo as mais sórdidas) e dela, uma razão para continuar vivendo. Em suas próprias palavras "O homem, por força de sua dimensão espiritual, pode encontrar sentido em cada situação da vida e dar-lhe uma resposta adequada”.

ELVIS PRESLEY - encontrado inconsciente no banheiro de Graceland, sua mansão em Menphis, hoje lugar de "peregrinação" e responsável por boa parte dos cerca de 60 milhões de dólares anuais que rende a marca "Elvis Presley".

Levado ao hospital tentaram ressuscitá-lo em vão. Declarado morto às 15:30 do dia 16 de Agosto de 1977 no Menphis Hospital sob circunstâncias questionáveis, com apenas 42 anos.


Família Presley



Suas Frases:

“ O Rei é Jesus, eu sou apenas um artista”

“Nunca esperei ser alguém importante. Talvez não o seja, mas o que quer que eu seja, o que quer que eu faça, será o que Deus escolheu para mim. Sinto que Ele observa cada passo meu”

“Observo e ouço a platéia e sei que tanto elas quanto eu, estamos pondo alguma coisa para fora. Nenhum de nós sabe o que é. O importante é que estamos nos livrando disso, sem ninguém se machucar”

“A única vez em que me meti em problemas foi quando roubei ovos, quando era menino. Acho que sei diferenciar o certo do errado”

Homem belo, educado, bondoso, sedutor, rico, famoso, querido, o que não encontrou ? (http://is.gd/4idLip)

Será que foi o tal sentido para as formas de sua existência, razão pela qual não sobreviveu? Não sabemos! Mas para os fãs... Uma lástima! 

http://is.gd/2Wyy4m


Mi - Cps, 09/08/10

domingo, 8 de agosto de 2010

Sobre Viktor Emil Frankl

Médico psiquiatra austríaco, fundador da escola da Logoterapia, que estuda o sentido existencial do indivíduo e a dimensão espiritual da existência. Se correspondia com Freud. Conferenciou, sobre: "A respeito do sentido da vida". Entra no círculo intelectual liderado por Alfred Adler, se desentendem e no ano seguinte é excluído.

Diretor do pavilhão das mulheres suicidas do hospital psiquiátrico de Viena. Quando os nazistas tomam o poder na Áustria, Frankl não obedece a ordem de eutanásiar doentes mentais sob seus cuidados correndo risco de vida.

Por ser judeus é deportados. Libertado no fim da guerra, onde soube que sua mulher morreu de esgotamento no campo de Bergen-Belsen e seus pais e irmão no Holocausto nazista. Experiência marcante para seus escritos na obra terapêutica, incapaz de manter, em tal situação desumanizadora, a capacidade de manter a liberdade do espírito.

Nos 25 anos pós guerra, Frankl foi diretor da policlínica de neurologia de Viena. Obtém doutorado em filosofia, cujo tema: "O Deus inconsciente". Torna-se professor de neurologia da Universidade de Viena. Em 1970, em San Diego, Califórnia é fundado o primeiro instituto de logoterapia do mundo, universidade federal que lecionará.Nos EUA lecionou como professor visitante nas Universidades de Harvard, Dallas e Pittsburgh. Atingiu notoriedade mundial, por suas teses contrariarem as correntes psicanalíticas tradicionais e dominantes. Livros: mais de 30 idiomas.

Título de doutor honoris causa de diversas instituições de ensino do mundo, inclusive da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no Brasil. Conferências, visitou muitos países, Brasil em 1984 (Porto Alegre), 1986 (Rio de Janeiro) e 1987 (Brasília). Atualmente, institutos, centros de estudos e associações de logoterapia são encontrados em mais de 30 países.

Obra pouco conhecida nos países de língua portuguesa e é comumente ignorada pelas principais correntes da psicanálise (Sigmund Freud, Carl Gustav Jung, Alfred Adler e Jacques Lacan).

Diferenciava de forma prática e simples assim:
- psicanálise “o paciente tem de deitar-se num divã e contar coisas que, às vezes, são muito desagradáveis de serem contadas”.
- logoterapia “o paciente pode ficar sentado normalmente, mas tem de ouvir coisas que, às vezes, são muito desagradáveis de serem ouvidas”.

Pai da Logoterapia ou "Terceira Escola Vienense da Psiquiatria", se distanciou de Freud no que se refere à etiologia sexual das neuroses e também no que se refere à religião. Frankl considera que a neurose individual poderia ser, em alguns casos, a expressão da recusa da religião.

Segundo Frankl, existiria no ser humano mais precisamente percebido em seus pacientes um desejo ou uma vontade de “sentido”, o vazio existencial que difere de complexo como o de inferioridade (Adler) ou o de frustrações sexuais (Freud) .

Para ele, a neurose revelaria antes de mais nada um ser frustrado de sentido, o que o levou a concluir que a exigência fundamental do homem não é nem a emancipação sexual, nem a valorização do self, mas a "plenitude de sentido", a compensação sexual não seria nada além de um Ersatz para com a falta de sentido existencial. Por isso, não se negligencia a espiritualidade do analisado e a logoterapia passa a estar centrada no inconsciente espiritual, mais do que nas pulsões.

Em "O Deus inconsciente", Frankl repudia a psicanálise tradicional, declarando que "Degradando o 'eu' em simples epifenômeno, Freud, por assim dizer, traiu o 'eu' em favor do 'isso'; mas ao mesmo tempo ele, por assim dizer, insultou o inconsciente, vendo nele nada além do que é do 'isso' - o instintivo - deixando escapar aquilo que é do 'eu' - o espiritual".

Para o autor, haveria um hiato ontológico entre o instinto e o espírito. Ele considera o homem uma totalidade trinária e tridimensional, a saber: físico-físico-espiritual. Segundo Frankl, Freud teria negligenciado a terceira dimensão.

No seu livro A Busca do Homem por Sentido de1946, Frankl relata suas experiências como interno de campo de concentração, descrevendo seu método psicoterapêutico para encontrar sentido em todas as formas de existência (mesmo as mais sórdidas) e, daí, uma razão para continuar vivendo. Em suas próprias palavras "O homem, por força de sua dimensão espiritual, pode encontrar sentido em cada situação da vida e dar-lhe uma resposta adequada”.

Em 1983, no Prefácio que faz da sua obra Em Busca de Sentido, à edição de 1984, afirma: ...o Pós-escrito de 1984 a este livro é intitulado "A Tese do Otimismo Trágico". O capítulo se refere a preocupações dos dias de hoje e como é possivel dizer sim à vida apesar de todos os aspectos trágicos da existência humana. Espera-se que um certo "otimismo" com relação ao nosso futuro possa fluir das lições retiradas do nosso "trágico" passado..

Sua filosofia é fundamentalmente otimista e baseada na crença - fruto de sua experiência pessoal - de que o fim último da existência humana tem uma meta fora do próprio indivíduo, fim este que lhe dá o sentido da própria existência.

Outras citações úteis para a compreensão de seu pensamento podem ser invocadas, como no Prefácio que faz da Edição de 1984 à sua obra Em Busca de Sentido: Não procurem o sucesso. Quanto mais o procurarem e o transfomarem num alvo, mais vocês vão errar. Porque o sucesso, como a felicidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer, e só tem lugar como efeito colateral de uma dedicação pessoal a uma causa maior que a pessoa, ou como subproduto da rendição pessoal a outro ser.

E ainda, no mesmo prefácio da edição de 1984 de Em Busca de Sentido: Quero que vocês escutem o que sua consciência diz que devem fazer e coloquem-no em prática da melhor maneira posível. E então voces verão que a longo prazo - estou dizendo a longo prazo! - o sucesso vai perseguí-los, precisamente porque voces esqueceram de pensar nele.

Finalmente: Nós que vivemos nos campos de concentração podemos lembrar de homens que andavam pelos alojamentos confortando a outros, dando o seu último pedaço de pão. Eles devem ter sido poucos em número, mas ofereceram prova suficiente que tudo pode ser tirado do homem, menos uma coisa: a última das liberdades humanas - escolher sua atitude em qualquer circunstância, escolher o próprio caminho.

Por essa e outras razões, Viktor Frankl é uma das figuras-chave da terapia existencial ou existencialista. Sua vida e obra é, para certos analistas, uma sequência de atos e fatos que se desencadeiam em um testemunho inquestionável do poder desafiador do espirito. Para Frankl, a "busca de sentido" é uma exata e precisa definição da natureza humana.

Em sua obra, Frankl não recomenda nenhuma religião ou confissão constituída, muito menos alguma Igreja em especial.

A todo tempo ele remete o leitor às suas próprias preferências e escolhas.

Alguns analistas entendem que um maior estudo da obra de Viktor Frankl seria capaz de ajudar a psicanálise a se libertar de dogmas problemáticos para a sua coerência.

Mi, Cps 16/08/10

sábado, 7 de agosto de 2010

Entender a identidade:

"A cultura do espírito identificar-se-á com a cultura do desejo". Salvador Dalí

"A minha roupagem carnal é tão corruptível como a de todos os meus companheiros humanos; e por isso estou tão sujeito a erros como qualquer um deles". Mahatma Gandhi

"Sou o que me faço ser !Identifico-me" de toda maneira por causa do outro". mimiseven

● Na Sociologia, Identidade é o compartilhar de várias idéias e ideais de um determinado grupo. Alguns autores, como Karl Mannheim, elaboram um conceito em que o indivíduo forma sua personalidade, mas também a recebe do meio, onde realiza sua interação social. Segundo Mannheim, a influência desses fatores é da maior importância e sua investigação deveria ser o objeto de uma nova disciplina: a sociologia do conhecimento. Cada fase do humano seria dominada por certo tipo de pensamento e a comparação entre vários estilos diferentes seria impossível. Em cada fase aparecem tendências conflitantes, apontando seja para a conservação, seja para a mudança. A adesão à primeira tende a produzir ideologias e a adesão à segunda tende a produzir utopias.
● Na Medicina legal consiste numa série de exames feitos no vivo ou no morto, onde se apuram, no ser humano, a raça, sexo, estatura, idade, dentição, peso e conformação corpórea, sinais particulares (má-formações, cicatrizes, tipo sangüíneo, feições faciais, etc.)
● Na Filosofia a identidade constitui objeto de cogitações por variados pensadores e correntes filosóficas, e seu conceito varia, de acordo com cada um, evidentemente.
● E na Antropologia, Identidade consiste na soma nunca concluída de um aglomerado de signos (sinais), referências e influências que definem o entendimento relacional, percebida por diferença, de si ou de outrem. Portanto, Identidade está relacionada a idéia de alteridade, (ou outridade) concepção que parte do pressuposto de que todo humano interage e interdepende de outros, logo é necessário existir o outro para definir por comparação e diferença pelos quais identificamo-nos.

Michael Jackson: podemos tê-lo como um dos maiores exemplo Identidário, no que tange o pessoal, emocional, social, profissional e religioso.

25/06/09 - invade-se a intimidade do ídolo pela, super exposição, fanatismo, idolatria, histerismos e conceitos. Problemas de ordem familiar, sexualidade, aparência, escândalos, reclusão, dentre outros fatores criaram através da mídia e fãs, o maior espetáculo com sua morte.
Sucesso mundial reconhecido não só pelo que explorou em habilidades em inovar, mas pela vida pessoal cheia de suposições, que nada se provou.

Essência humana confusa, imatura, insegura, frágil e conturbada.

Rico e com um enorme efeito na cultura sensacionalista, por não saber lidar talvez, com o processo de "Identidade".

Vítima ou culpado? A sociedade por sua especulariedade, ou ele como sujeito inconscientemente necessitado de especulação à sua volta? Quem saberá, ao certo? Mas sinalizou com seus modos na “sociedade”, o que se diz “Identidade”.

A 'Identidade' volta a uma questão central do pensamento do sociólogo Zygmunt Bauman http://is.gd/eNE5y que mostra como a identidade se tornou um conceito-chave para o entendimento da vida social na era da 'modernidade líquida' - esgarçamento das relações na atualidade.

No mundo de hoje, qual é o espaço do eu e do outro? Qual é a medida da liberdade individual? E do respeito ao próximo, com todas as suas diferenças? É possível construir uma identidade sem levar a alteridade - o outro - em conta?

Segundo Bauman, à medida que nos deparamos com as incertezas e as inseguranças da "modernidade líquida", nossas identidades sociais, culturais, profissionais, religiosas e sexuais sofrem um processo de transformação contínua. Isso nos leva a buscar relações transitórias e fugazes e faz com que soframos as angústias inerentes a essa situação.

A confusão atinge não só os valores, mas também as relações afetivas: "Estar em movimento não é mais uma escolha: agora se tornou um requisito indispensável", afirma Bauman. Identidade é um retrato da vida na contemporaneidade.
Na visão baumaniana buscar uma identidade é buscar o impossível. É o que pode se concluir no Astro. Sua descaracterização visual, cirurgias plásticas, mudança na pele, ornamentos, maquiagem, perucas e disfarces, denunciavam problema na identidade. Demonstrou-se que, seus sentimentos de pertencimento identitário, relacionado à aparência e ao que seu próprio corpo pode dizer sobre si, ultrapassaram os limites da semelhança familiar.
Poderia ter sido por conta da violência emocional e física sofrida durante a infância, que passou a fase adulta procurando se reconstruir em um padrão de beleza próprio.

As diferenças e inovações trazidas por Michael ao universo que ele começava a pertencer eram, simultaneamente, uma forma de afastá-lo do que era padrão e não deixava espaço para um sentimento de que finalmente ele pertencia a uma comunidade.
As formas como buscava sua identidade afastaram de si, de quem ou do quê ele quis ser, o que o caracterizou como quem fica à margem da sociedade.



(...) de fato, a “identidade” só nos é revelada como algo a ser inventado, e não descoberto; como alvo de um esforço, “um objetivo”; como uma coisa que ainda se precisa construir a partir do zero ou escolher entre alternativas e então lutar por ela e protegê-la lutando ainda mais_ mesmo que, para que essa luta seja vitoriosa, a verdade sobre a condição precária e eternamente inconclusa da identidade deva ser, e tenda a ser, suprimida e laboriosamente oculta. Zigmunt Bauman

Artista e pessoa se confundiram a ponto de não se saber qual predominava o limite da normalidade entre a essência e a personalidade construída.

Claramente buscou por uma identidade que lhe oferecesse segurança, de pertencer a um estereótipo pouco similar que lhe assustou durante a infância





O“rancho” era uma realidade e permitiu desvencilhar do que mais causava repulsa.

Dono de suas possibilidades e com recursos, em sociedade movida por interesses financeiros, se fez respeitado.

Com um nome a ultrapassar a música, a dança, curiosa intimidade, cotidiano único, desejos, hábitos e comportamentos indecifráveis.

Abre-se então espaço para o indivíduo com problemas humanos, amigos, filhos para serem criados, família em sofrimento e discursos sobre lembranças de uma pessoa que viveu e que compartilhou situações comuns às pessoas comuns.

As teorias de Bauman acerca da identidade ajudam a explicar os significados da presença e da importância de um sujeito como Michael Jackson.


Astro com claros exemplos da volatilidade da personalidade, do sentimento de pertencimento, como indústrias que vivem do consumo de produtos humanos.

Indivíduo influente, cuja excêntricidade o consumiu, pela constante construção de si.

Citado como "O maior ícone negro de todos os tempos", com grande importância para a quebra de barreiras raciais, abrindo portas para a dominação da música negra na música popular, e pessoas como Oprah Winfrey e Barack Obama conseguirem o status que tem hoje.


Notável filantropo e humanitário, doou milhões de dólares durante toda sua carreira a causas beneficentes por meio da Dangerous World Tour, compactos voltados à caridade e manutenção de 39 centros de caridades, através de sua própria fundação.



Mi - Cps, 25/06/10

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Rafael

Rafael Sanzio - Raffaello Sanzio, Raffaello Santi, Raffaello de Urbino, Rafael Sanzio de Urbino ou apenas Rafael, o Príncipe dos pintores.
(Urbino, 06/04/1483 / Roma, 06/04/1520).

Mestre da pintura e da arquitetura da escola de Florença durante o Renascimento italiano, celebrado pela perfeição e suavidade de suas obras. Escreveu uma Crônica famosa em rima. Pintor de precoce talento, com poucos méritos, homem culto bem relacionado na corte do duque Federico da Montefeltro de Mântua.

Conforme Giorgio Vasari, ao nascer, seu pai Giovanni Santi dirigia um famoso estúdio em Urbino. Transmitiu ao filho, o amor pela pintura e as primeiras lições do ofício. O duque, personificação do ideal renascentista do príncipe culto, encorajara todas as formas artísticas e o introduzira à corte humanista e transformara Urbino em centro cultural, a que foram atraídos homens como Donato Bramante, Piero della Francesca e Leone Battista Alberti, que ao final do século XV, havia se tornado um dos mais ativos centros culturais da Itália, sob a regência do Duque Federico da Montefeltro, falecido 7 meses antes do nascimento de Rafael. Lá, Rafael pode conhecer os trabalhos de Paolo Uccello, Luca Signorelli, e Melozzo de Forlì. Em 1500 aos 17 anos Rafael já era considerado um mestre.

Obras

O primeiro trabalho registrado de Rafael foi um altar para a Igreja de San Nicola da Tolentino na cidade de Castello, entre Perúgia e Urbino.

A peça foi encomendada em 1500 e terminada em 1 ano. Danificada por um terremoto em 1789, restando atualmente alguns fragmentos na Pinacoteca Tosio Martenigo, na Brescia.


Outra peça importante de seus primeiros anos foi o altar de Oddi para a capela de mesmo nome na igreja de São Francisco de Perúsia.

Provavelmente como membro da oficina de Pietro Perugino, trabalhou também nos afrescos do Collegio del Cambio





Em 1494, dois anos após a morte do pai, foi para Perugia, onde aprendeu com Pietro Perugino a técnica do afresco ou pintura mural. Em sua primeira obra de realce, "O casamento da Virgem" (1504), a influência de Perugino evidencia-se entre suas figuras, de um doce lirismo, mais informal e animada que a do mestre.



Logo depois Rafael concluiu 3 pequenos quadros, neles já expunha o seu estilo amadurecido e o frescor que lhe acompanharia por toda vida:

Visão de um Cavaleiro
   
As Três Graças

São Miguel














Deposição de Cristo de 1507 encomendado por uma nobre de Perugia, hoje exposta na Galleria Borghese, em Roma.

Em Florença tornou-se amigo de vários pintores locais, destacando-se Fra Bartolomeo, um proponente do Idealismo Renascentista que o levou a abandonar o estilo suave e gracioso de Perugino e abraçar a grandiosidade e formas mais poderosas. Entretanto, a maior influência veio de Leonardo da Vinci e suas composições, figuras e gestuais, bem como suas técnicas inovadoras como o chiaroscuro e o sfumato.

Em 1508, o Papa Júlio II, encorajado por Donato Bramante, amigo de Rafael e arquiteto do Vaticano, contratou os serviços do pintor. Aos 25 anos, Rafael ainda estava forjando seu estilo. Contudo logo conquistou a fama e os favores do papa. Roma passou a ser sua segunda nação. Trabalhou principalmente para Júlio II e seu sucessor, Leão X (filho de Lorenzo de Medici). Final de 1508 começou a decoração dos apartamentos de Júlio no Vaticano, que, na visão do papa, eram destinados a glorificar o poder da Igreja Romana através da justificação do Humanismo e do Neoplatonismo.

Uma série de obras-primas, como a Disputa (ou Discussão do Santíssimo Sacramento) e a Escola de Atenas, pintados na Stanza della Segnatura tornou o artista mais procurado da cidade.

Rafael continuou o trabalho nos quartos até 1513, sob o governo de Leão X, mas deixou as últimas seções quase que inteiramente sob cuidado de seus pupilos. Nesse meio tempo, ele realizou outras tarefas como decorações sacras e seculares para vários prédios, retratos, altares, desenhos para tapeçarias, design para pratos e até trabalhos cenográficos.

Galateas
Os trabalhos mais famosos desse período nasceram da amizade com que mantinha com um rico banqueiro de Siena, Agostino Chigi, que lhe encomendou o belíssimo afresco de Galatéia para sua Villa Farnesina e as Sibilas na igreja de Santa Maria della Pace, junto com o projeto e a decoração da Capela de Chigi na igreja de Santa Maria del Popolo, em 1513.

Sibilas

Florença
No outono de 1504, Rafael foi a Florença, atraído pelos trabalhos que estavam sendo realizados, no Palazzo della Signoria, por Leonardo da Vinci e Michelangelo. Sob a influência sobretudo da obra de Da Vinci, absorveu a estética renascentista e executou diversas madonas, entre as quais a "Madona Esterházy" e "A bela jardineira". Fez uso das grandes inovações introduzidas na pintura no Renascimento, e de Da Vinci a partir de 1480: o claro-escuro, contraste de luz e sombra que empregou com moderação, e o esfumado, sombreado levemente esbatido, ao invés de traços, para delinear as formas. A influência de Michelangelo, patente na "Pietà" e na "Madona do baldaquino", consistiu sobretudo na exploração das possibilidades expressivas da anatomia humana.

Roma
Por sugestão de Bramante, seu amigo e arquiteto do Vaticano, Rafael foi chamado a Roma pelo Papa Júlio II em 1508. Nos 12 anos em que permaneceu nessa cidade incumbiu-se de numerosos projetos de envergadura, nos quais deu mostras de uma imaginação variada e fértil. Dos afrescos do Vaticano, os mais importantes são a "Disputa" (ou "Discussão do Santíssimo Sacramento") e a "Escola de Atenas", ambos pintados na Stanza della Segnatura. O primeiro, que mostra uma visão celestial de Deus, seus profetas e apóstolos a encimar um conjunto de representantes da igreja, equipara a vitória do catolicismo à afirmação da verdade. Já a "Escola de Atenas" é uma alegoria complexa do conhecimento filosófico profano. Mostra um grupo de filósofos de várias épocas históricas ao redor de Aristóteles e Platão, ilustrando a continuidade histórica do pensamento platônico.
Após a morte de Júlio II, em 1513, a decoração dos aposentos pontifícios prosseguiu sob o novo papa, Leão X, até 1517. Apesar da grandiosidade do empreendimento, cujas últimas partes foram deixadas principalmente por conta de seus discípulos, Rafael, que então se tornara o pintor da moda, assumiu ao mesmo tempo numerosas outras tarefas: criou retratos, altares, cartões para tapeçarias, cenários teatrais e projetos arquitetônicos de construções profanas e igrejas como a de Sant'Eligio degli Orefici. Tamanho era seu prestígio que, segundo o biógrafo Giorgio Vasari, Leão X chegou a pensar em fazê-lo cardeal.
Em 1514, com a morte de Bramante, Rafael foi nomeado para suceder-lhe como arquiteto do Vaticano e assumiu as obras em curso na basílica de São Pedro, onde substituiu a planta em cruz grega, ou radial, por outra mais simples, em cruz latina, ou longitudinal. Sucedeu também a Bramante na decoração das loggias (galerias) do Vaticano, aí realizando composições de lírica simplicidade que pareciam contrabalançar a aterradora grandeza da capela Sistina pintada por Michelangelo.

Pesquisador
Competente pesquisador interessado na antiguidade clássica, Rafael foi designado, em 1515, para supervisionar a preservação de preciosas inscrições latinas em mármore. Dois anos depois,foi nomeado encarregado geral de todas as antiguidades romanas, para o que executou um mapa arqueológico da cidade.

Sua última obra, a "Transfiguração", encomendada em 1517, desvia-se da serenidade típica de seu estilo para prefigurar coordenadas do novo mundo turbulento o da expressão barroca.

Em conseqüência da profundidade filosófica de muitos de seus trabalhos, a reputação de humanista e pensador neoplatônico de Rafael implantou-se em Roma. Entre seus amigos havia respeitados homens, como Castiglione e Pietro Aretino, além de muitos artistas. Em 1519 ele projetou os cenários para a comédia I suppositi, de Ludovico Ariosto. Coberto de honrarias, Rafael morreu em Roma em 6 de abril de 1520...

Arquitetura
O primeiro trabalho arquitetônico conquistado por Rafael foi a posição de arquiteto da nova Basílica de São Pedro, cuja construção começou em 1506. A posição havia sido vagada pela morte de Bramante em 1514. Rafael mudou a planta de um desenho de inspiração grega para um design longitudinal. Contudo este projeto foi modificado novamente após sua morte. Dois anos depois ele projetou as linhas da importante Villa Madama em Roma. Em 1515 ele foi nomeado uma espécie de supervisor paras as pesquisas arqueológicas romanas, desenhando um mapa arqueológico da cidade.

Política
O prestígio de Rafael até mesmo deu a sua obra um papel na criação e fortalecimento de alianças políticas, como no caso de trabalhos hoje em dia expostos no Louvre, que foram enviados a corte francesa, e o retrato de Lorenzo de Medici para o partido florentino.

Últimos anos
A morte precoce de Rafael, no dia em que completava 37 anos, reforçou a aura mística que rodeava sua figura. Admirado pela aristocracia e pela corte papal, que o viam como o "príncipe dos pintores", foi encarregado pelo Papa Júlio II de decorar com afrescos as salas do Vaticano hoje conhecidas como as stanze de Jesus Cristo.

Em seus últimos anos (1518-1520) a intervenção do estúdio em seus trabalhos tornou-se mais significativa, como pode se ver em obras como Spasimo da Sicília, para uma igreja de Palermo, e a Visitação, hoje abrigada pelo Museu do Prado em Madrid. Também a decoração do Quarto de Constantino no Vaticano foi executada inteiramente por seus pupilos, baseado em desenhos do mestre. Seus últimos trabalhos autorais foram um retrato duplo do Louvre, o pequeno mas monumental A Visão de Ezequiel e a Transfiguração.

Morte
Rafael nunca se casou, ainda que algumas fontes afirmem que em 1514 ele estava noivo de Maria Bibbiena, sobrinha de um cardeal, mas o noivado terminou devido a morte prematura da jovem. Diz a lenda que seu grande amor foi "Fornarina" (padeirinha), mas sua existência jamais foi confirmada. Segundo Vasari, a morte prematura de Rafael foi causada por excesso de amor.

Rafael morreu em Roma no seu aniversário de 37 anos, (alegadamente apenas a algumas semanas depois de Leão X apontá-lo como cardeal), acometido por uma febre após um encontro à meia-noite, e foi profundamente lamentado por todos aqueles que reconheciam sua grandeza.

Seu corpo repousou por um certo tempo em uma das salas na qual ele havia demonstrado sua genialidade e foi honrado com um funeral público. A Transfiguração precedeu seu corpo durante a procissão fúnebre. A incansável mão da morte (nas palavras de seu biógrafo) pôs um limite em suas conquistas e privou o mundo de um benefício maior de seus talentos, na idade em que a maioria dos outros homens começa a ser útil.

Rafael foi enterrado no Panteão, o mais honorável mausoléu da Itália. Em sua tumba foi colocada uma frase de Pietro Bembo em latim que diz:
- "Aqui jaz Rafael, que fez temer à Natureza por si fosse derrotada, em sua vida, e, uma vez morto, que morresse consigo".
De acordo com Giorgio Vasari as principais obras de Rafael:

Bandeira de procissão com a Santíssima Trindade

- A Ressurreição de Cristo, 1499-1504 (acima)
Deus Pai
- Abençoada Virgem Maria
- Anjo
- A Virgem com o Menino
- São Sebastião
- Retrato de um Homem
- A Coroação da Virgem
- A Anunciação
- Adoração dos Magos
- A Apresentação no Templo
- Madona Connestabile
- Madona com o Menino
- O Casamento da Virgem
- São Jorge e o Dragão
- As Três Graças
- Visão de um Cavaleiro
- Madona e o Menino Entronados com Santos, 1504-1505
- São Miguel

Outras Obras:

- Resumo da obra "Escola de Atenas é uma alegoria complexa do conhecimento filosófico profano. Mostra um grupo de filósofos de várias épocas históricas ao redor de Aristóteles e Platão, ilustrando a continuidade histórica do pensamento filosófico. Vários deles são identificados na Escola de Atenas:

Detalhe da Escola de Atenas









Os noeses são as personalidades em que Rafael se inspirou para pintar o rosto dos diferentes filósofos gregos. Isso é claramente uma homenagem às pessoas de seu tempo: 1: Zenão de Cítio ou Zenão de Eléia 2: Epicuro 3: Frederico II, duque de Mântua e Montferrat 4: Anicius Manlius Severinus Boethius ou Anaximandro ou Empédocles 5: Averroes 6: Pitágoras 7: Alcibíades ou Alexandre, o Grande 8: Antístenes ou Xenofonte 9: Hipátia (Francesco Maria della Rovere or Raphael's mistress Margherita.) 10: Ésquines ou Xenofonte 11: Parménides 12: Sócrates 13: Heráclito (Miguel Ângelo). 14: Platão segurando o Timeu (Leonardo da Vinci). 15: Aristóteles segurando Ética a Nicômaco 16: Diógenes de Sínope 17: Plotino 18: Euclides ou Arquimedes acompanhado de estudantes (Bramante) 19: Estrabão ou Zoroastro (Baldassare Castiglione ou Pietro Bembo). 20: Ptolomeu R: Apeles (Rafael). 21: Protogenes (Il Sodoma ou Pietro Perugino). [1]


A SAGRADA ESCRITURA E A ESCOLA DE ATENAS
Por Alessandro Lima

Rafael, famoso artista italiano do período da renascença, é o responsável por um dos quadros mais fantásticos da arte universal: A Escola de Atenas.

Sua obra constitui um verdadeiro estudo da maneira pela qual os gregos antigos concebiam e representavam o mundo. É quase impossível olhar para esta obra e não perceber o senso estético de harmonia que salta do conjunto de tanto quanto dos detalhes. Podemos identificar os diversos personagens históricos e suas respectivas idéias expressas da maneira pela qual se postam e nos gestos que denotam. No centro da obra vemos Platão e Aristóteles lado a lado. O primeiro gesticula com a mão apontando para cima - sinal de sua metafísica, de sua filosofia centrada no ideal. O segundo aponta para frente - sinal de sua física, sua ética da conveniência, seu mundo filosófico baseado na experiência.

A famosa teoria do mundo das idéias - que fundamenta a filosofia platônica - ensina que o mundo é a representação diminuída e prejudicada do mundo superior, que é mais belo e perfeito, onde a perfeição e a beleza expressão pontencialmente seus atributos. Segundo esta teoria a alma desenvolve os conceitos perfeitos acerca de toda a Verdade. No entanto, uma vez inserida no mundo das coisas observa nele a expressão deturpada do mundo superior, e à sua volta restam apenas meras figuras da realidade luminosa (cf. 1Cor 13,12).

O mundo para Aristóteles é lógico, onde a experiência possui lugar para desenvolver conceitos e classes, relações e dimensões. Constratou com a metafísica suas proposições que pareciam derivar do conjunto de experiências reais, catalogadas e classificadas para dar origem a uma visão teórica do mundo em que se vive, isto é, um modelo.

Em sua obra "Ética a Nicômaco", pode-se verificar que a Ética é uma adaptação do indivíduo ao meio em que vive, que define suas regras de comportamento baseadas no modelo que percebe de sua realidade, passando então a guiar-se por elas: o bom é o adequado.

Rafael de forma brilhante capturou detalhes destas idéias e expessou-as em sua obra. No composto harmônico de sua pintura é possível identificar a noção do perfeito vindo das idéias para a visão e da visão para as idéias.

Assim como as idéias de Platão e Aristóteles, a obra de Rafael é a expressão de um modelo pelo qual o artista se palpava para entender o mundo. Muito antes de Rafael na pintura, antes de Platão e de Aristóteles, antes dos mitos de explicação do mundo e das coisas o homem usava modelos como formas de interferir na realidade.

Muitas pinturas rupestres demonstrando cenas de caça, identificadas no período paleolítico-superior, têm sido concebidas como modelos que o homem pré-histórico usava para planejar, avaliar ou comunicar a sua sabedoria. Entretanto é preciso reconhecer que os modelos apenas refletem parte das realidades.

A obra de Rafael, a Escola de Atenas é uma obra rara, pefeita em cores e métrias; genial na interpretação da tradição dos gregos. No entanto é preciso conhecimento para apreciar tal obra em sua totalidade. Quem não possui o conhecimento adequado terá sérios problemas para entender o quadro, e muito possivelmente será conduzido a idéias falsas do que o autor da obra realmente quis expressar.

O mesmo acontece com a Sagrada Escritura. Ela é a Escola de Atenas que Deus nos entregou através da Igreja, porém muito mais complexa, sintuosa e encantadora que a obra de Rafael, e por isso também muito mais suscetível a ser entendida de forma errada se o leitor não possui o conhecimento adequado. Para entender a Sagrada Escritura, não basta saber a cultura helênica como na Escola de Atenas, mas é preciso conhecer o seu berço, isto é, o corpo doutrinário onde ela surgiu, que é a Tradição dos Apóstolos. Foi da Tradição dos Apóstolos que a Igreja escreveu e usou critérios para discernir quais livros a formariam.

Todo aquele que quiser se deliciar nas letras sagradas deve procurar conhecer com amor a Tradição dos Apóstolos, que está presente na obra dos Santos Padres da Igreja. Querer entender a Sagrada Escritura por ela mesma é como querer entender a Escola de Atenas sem o conhecimento adequado.
A Escola de Atenas - 1509-1510
A Escola de Atenas (Scuola di Atenas no original) é uma das mais famosas pinturas do renascentista italiano Rafael e representa a Academia de Platão. Foi pintada entre 1509 e 1510 na Stanza della Segnatura sob encomenda do Vaticano. A obra é um afresco em que aparecem ao centro Platão e Aristóteles. Platão segura o Timeu e aponta para o alto, sendo assim identificado com o ideal, o mundo inteligível. Aristóteles segura a Ética e tem a mão na horizontal, representando o terreste, o mundo sensível.



A imagem tem sido muitas vezes vista como uma perfeita encarnação do espírito da Alta Renascença. Em A Escola de Atenas, Rafael pintou os maiores estudiosos antigos como se fossem amigos que discutiam e desenvolviam as formas de pensar e de refletir a filosofia em si. Segundo o estudioso Fowler, o título do afresco era Causarum Cognitio e que somente após o século XVII passou-se a ser conhecido como A Escola de Atenas.


- Abraão e os Três Moços, 1512-1514
- Transfiguração, 1518-1520
- A Sagrada Família Canigiani, 1517


A Ressureição

Acervo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – MASP

Detalhe do anjo

domingo, 1 de agosto de 2010

MP e Síbolos Religiosos

Outro e-mail recebido de meu amigo Nelson:

"PADRE CORAJOSO
Esse não foi simplesmente um áto de coragem do padre , e sím, o dever de um cristão convicto de sua missão.
Isso me fez lembrar uma das frazes do "Brecht": "Pobre do povo que precisa de um herói"

O Ministério Público Federal de São Paulo ajuizou ação pedindo a retirada dos símbolos religiosas das repartições publicas.


Pois bem, veja o que diz o Frade Demetrius dos Santos Silva:
“Sou Padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas…
Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião.
A Cruz deve ser retirada!
Aliás, nunca gostei de ver a Cruz em Tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são barganhadas, vendidas e compradas.
Não quero mais ver a Cruz nas Câmaras legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte.
Não quero ver, também, a Cruz em delegacias, cadeias e quarteis, onde os pequenos são constrangidos e torturados.
Não quero ver, muito menos, a Cruz em prontos-socorros e hospitais, onde pessoas pobres morrem sem atendimento.
É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa das desgraças; das misérias e sofrimentos dos pequenos; dos pobres e dos menos favorecidos”.
Frade Demétrius dos Santos Silva *
Piracicaba/SP
Fonte: FOLHA de SÃO PAULO, de 09/08/2009 "