Lidar com nossas questões é muito doloroso, sentimos na pele todos os dias o quanto lutamos para dar conta das respostas. Enguiçamos às vezes, e se não consertamos pequeno detalhe corremos o risco de ficar totalmente estragado e não podemos nos jogar fora ou nos deixar encostado num canto qualquer. A partir do que existe em nós é que devemos reformar, porque o humano tem jeito. Existe em nós pedacinhos que poderão ser modificados. É uma luta e nem pensar em desanimar. Somos consertáveis e temos um referencial: O Senhor! Ele é o único real construtor para nossas reformas necessárias e do jeito certo. Nossa vida sempre precisa de consertos e precisamos também constantemente refletir sobre nossas decisões e avaliar onde ser diferente. Não podemos viver de qualquer jeito. E há inúmeros motivos para recomeçarmos já.
Mi - Base: FM - Cps, 10/10/10
domingo, 10 de outubro de 2010
Viver nossa vida
Quando prevalecem as decisões conforme nossas vontades e possibilidades sem prejudicar o outro. Quando não agimos apenas para satisfazer pessoas ou cumprir regras desnecessárias, nos dá uma gratificante sensação de liberdade e nos permite ficar bastante próximos de nós. Saber cultivar o nosso ser é saber viver o que somos. Quem nos ama nos ajuda a descobrir nosso caminho no mundo, sem imposicionar. Pessoas naturalmente gostam de nos formatar de acordo com suas satisfações. Estamos falando de decisões, essencial para dominarmos nosso território e atingirmos a qualidade humana. Amar não significa deixar ser alugado, tampouco permitir que nos amarrem a um a condição imposta em nome deste amor. Isto nos distancia de nossos desejos, gera solidão e nossa satisfação logo se anula. Quem nos ama nos constrói, nos dá o direito do aperfeiçoamento, nos torna melhor e jamais cobra qualquer coisa. Ficar ausente de nós é descobrir que não conseguimos nos acompanhar, logo não transformaremos no ser humano que devemos ser. Nada como acordar e perceber um dia lindo, ter prazer em viver. Mesmo com todos os problemas peculiar dos humanos. Qualidade de vida é isso! Quando dirigimos nossa vida sem medo e em paz.
Mi Base: FM - Cps, 10/10/10
Mi Base: FM - Cps, 10/10/10
A parábola em Lucas 12: 16-21
Louco hoje te pedirão a tua alma
O que vemos nesta parábola?
[Propôs-lhes então uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produzira com abundância; e ele arrazoava consigo, dizendo: Que farei? Pois não tenho onde recolher os meus frutos.
Disse então: Farei isto: derribarei os meus celeiros e edificarei outros maiores, e ali recolherei todos os meus cereais e os meus bens; e direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te.
Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?
Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.]
Penso que o Messias o chamou de louco porque quis satisfazer sua alma com os bens materiais: (...e direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te - Lucas 12:19b).
A loucura em referência deve ser pelo fato do homem colocar a sua justiça, ou fazer prevalecer sua vontade sobre sua alma. Conforme o salmista aprendemos: (... Refrigera a minha alma; guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome - Salmo 23:3).
Estas coisas materiais: dinheiro, bens, etc. são agradáveis ao ser humano, mas não pode ser determinante porque a nossa alma realmente está em engrandecer ao nosso Salvador e devemos andar o mais próximo possível de Seus Mandamentos.Nossa alma só tem que Louvar ao Criador.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Enfermidade
Este tempo deve ser encarado como oportunidade para fortalecer as relações na família e não se entregar ao desespero, que não serve para nada. O horrível é passar pelas enfermidades da vida, sozinho. Que não é o caso, em nosso quadro familiar alegrias e tristezas só têm sentido quando compartilhadas. Temos que aproveitar o tempo da dura experiência da enfermidade para um momento especial. Podemos neste tempo nos congregar, nos corrigir, nos aproximar, reorientar o caminho da família, redescobrir a harmonia que é preciso ser buscada sempre, que às vezes, neste ritmo desenfreado nos faz esquecer. Precisamos não perder estes reencontros. Enfermidade em casa é desesperador. Então refletir sobre os procedimentos corretos ajudam a contornar a difícil situação dando acesso à uma saída de emergência que é a aproximação de um jeito novo. Como vamos agir? Sucumbimos? Lutamos? Desistimos? O que fazer agora? E aí, ou e agora José? O que acontece conosco quando temos que inventar uma nova forma de ser? Nesta hora podemos nos lembrar de ser humilde, paciente, humano e, sobretudo pensar em reinventar um novo jeito de ser. Ação típica do exercício da paternidade que não pode agir de um jeito único. Para a vida dar certo temos que mudar o tempo todo. Pais são de um jeito quando filhos são crianças, de outro quando são adolescentes e de outro na vida adulta. Educação dada no passado hoje terá que ser reconstruída. Amor é isso! É saber do que o filho precisa receber agora. Relação humana dá trabalho, ninguém enganou dizendo ser fácil, mas também ninguém disse ser impossível, só que a luta é constante. Diante da fragilidade o amor tem que ser excessivo e saber identificar o momento é o muito importante. O benefício será o crescimento afetivo que todos poderão vivenciar depois. A qualidade de vida dos filhos depende do posicionamento dos pais e receber cuidados dos pais é processo natural que facilita a caminhada por não haver inversão dos papeis. Nestes momentos podemos experimentar crescimento tanto afetivo quanto espiritual. Realmente a luta não para por aí, mas temos o Pai Celestial cheinho de Amor para nos ajudar!
Mi – Base: FM – Cps, 08/10/10
terça-feira, 5 de outubro de 2010
“A condição humana”
Livro de difícil compreensão. Quais foram as intenções ao escrevê-lo?
Relato detalhado da evolução dos contextos predominantes da revelação da essência do homem. Partindo da Grécia Antiga até a modernidade da questão proletária, é possível percebe-se a degradação e a banalização que os conceitos sofreram no decorrer do tempo e as conseqüências para o homem moderno, cada vez mais alienado e apolítico.
A condição do "Homem",que tem o poder de fazer com que se integre à esfera pública, de se revelar quem é e inicie novos processos, ilimitados e potencialmente eternos. O Homem enquanto age deixa de ser escravo das necessidades, deixa para trás o labor e o trabalho, para finalmente ser livre. Agindo o Homem desvincula-se do reino doméstico, o oikos e entra na polis, no espaço político. A própria ação é a liberdade, e por conseqüência só se é livre enquanto se está em espaço público. Com a crescente apolitização dos homens têm-se reduzido o espaço público, reduzida a ação, correndo-se o risco de um caminhar À escravidão maior, fazendo com que o animal laborans finalmente predomine por completo sobre o zoon politikon.
Vídeo de 8’ http://www.youtube.com/watch?v=MI8N2hTqgcM
Hannah Arendt (Hanôver, 14/10/1906 — Nova Iorque, 04/12/1975), teórica política alemã, muitas vezes descrita como filósofa. Foi para os Estados Unidos durante a ascensão do nazismo na Alemanha e tem como sua magnum opus o livro "Origens do Totalitarismo".
De família judia, fez teologia com Martin Heidegger e relacionando-se afetiva, intelectualmente com ele. Estudou filosofia em Königsberg, cidade natal de Kant.Em Heidelberg, fez tese de doutoramento sobre a experiência do amor na obra de Santo Agostinho, sob a orientação do filósofo existencialista Karl Jaspers.
Uma em 1929. Em 1933 na tomada de Hitler, por ser judia é proibida de escrever a segunda dissertação para o acesso ao ensino nas universidades alemãs. Envolvida no sionismo colidiu com o anti-semitismo do Terceiro Reich, foi presa. Em Paris, trabalhou 06 anos com crianças judias expatriadas e tornou-se amiga do crítico literário e filósofo marxista Walter Benjamin. Presa pela segunda vez na França com o marido "marxista crítico" Heinrich Blutcher. Partiu para os EUA, com a ajuda do jornalista americano Varian Fry.
Seus temas filosóficos abarcam política, autoridade, totalitarismo, educação, condição laboral, violência e a condição de mulher.
O primeiro livro "As origens do totalitarismo" de 1951 a consolida uma das figuras maiores do pensamento político ocidental. Assemelha de forma polémica ao nazismo e ao comunismo, na ideologias totalitárias, isto é, uma explicação compreensiva da sociedade e da vida individual mostra que a via totalitária depende da banalização do terror, da manipulação das massas, do acriticismo face à mensagem do poder. Hitler e Stalin seriam duas faces da mesma moeda alcançam o poder explorando a solidão organizada das massas. Em 1958 publica "A condição humana" que enfatiza a importância da política como ação e como processo, dirigida à conquista da liberdade. Publica em 1963 "Sobre a Revolução", talvez o seu maior tributo para o pensamento liberal contemporâneo.
Examina a Revolução Francesa e Americana, mostra as partes em comum e diferente. Defende que a preservação da liberdade só é possível se as instituições pós-revolucionárias interiorizarem e mantiverem vivas as idéias revolucionárias. Lembra os concidadãos americanos (já de nacionalidade americana) que se distanciassem dos ideais que tinham inspirado a revolução americana perderiam o seu sentido de pertencer e a identidade.
Ainda, em 1963 por cobrir o julgamento do exterminador dos judeus e arquiteto da Solução Final para a The New Yorker escreveu "Eichmann em Jerusalém". Nesse livro revelou que o grande exterminador dos judeus não era um demônio e um poço de maldade, como o criam os ativistas judeus, mas alguëm terrível e horrivelmente normal, burocrata que se limita a cumprir ordens, com zelo, sem capacidade de separar o bem do mal, ou contrição (arrependimento). Isto valeu crítica virulenta das organizações judaicas que a considerou falsa e renunciaram (abjuraram) a insinuação da cumplicidade dos próprios judeus na prática dos crimes de extermínio. Arendt apontou, apenas, para a complexidade da natureza humana, para uma certa "Banalidade do Mal" que surge quando se condescede com o sofrimento, a tortura e a própria prática do mal. Daí conclui que é fundamental manter uma permanente vigilância para garantir a defesa e preservação da liberdade.
Volta à Alemanha envolve-se, na reabilitação do filósofo alemão Martin Heidegger, afastado do ensino, depois da libertação da Alemanha, dadas as suas simpatias nazis. Novamente é criticada pelas associações judaicas americanas. Do relacionamento secreto entre ambos seria publicado um livro marcante, "Lettres et autres documents", 1925-1975, Hannah Arendt, Martin Heidegger, com edição alemã e tradução francesa da responsabilidade das Editions Gallimard. Hannah Arendt faleceu em 1975, e está sepultada em Bard College, Annandale-on-Hudson, Nova Iorque.
Arendt alerta em “A condição humana”: que condição humana é uma coisa e natureza humana é outra. Condição humana é a forma de vida que o homem se impõe para sobreviver. Por isso, somos condicionados por duas maneiras:
1 - Condições que suprem a existência do homem e variam de acordo com o lugar e o momento histórico (a cultura, amigos, família; são elementos externos do condicionamento) do qual é parte;
2 - Sendo assim (os próprios atos, aquilo que pensam, sentem, em suma os aspectos internos do condicionamento) homens são condicionados, até mesmo aqueles que condicionam o comportamento do outro tornam condicionados pelo próprio movimento de condicionar.
Organiza, sistematiza, a condição humana em três aspectos:
1) O “labor” é processo biológico necessário para a sobrevivência do indivíduo e da espécie humana.
2) O “trabalho”, quando transformam coisas naturais em artificias, ex: retiramos da árvore madeira para construir casas, armários, camas, objetos e etc.. Para ela, o trabalho não é intrínseco, constitutivo, da espécie humana, em outras palavras, o trabalho não é a essência do homem. O homem impôs o trabalho à sua própria espécie, como resultado de um processo cultural. O trabalho não é ontológico como Marx imaginava.
3) Por último a “ação”, necessidade do homem viver entre seus semelhantes, cuja natureza é eminentemente sociável. Ao nascer precisa de cuidados, de aprender e apreender, para sobreviver. Qualquer recém nascido abandonado só morrerá em questão de horas. A mesma coisa não acontece com animais que ao nascer já conseguem por conta própria e sem ajuda, sobreviver. A qualidade da ação supõe seu caráter social, sua pluralidade.
Estes três itens estão são conceito de “Vita Activa” (ocupação, inquietude, desassossego). Conforme os gregos o homem, só é homem quando (pensa) se afasta da “vida ativa” e se aproxima da vida reflexiva, contemplativa. Escravos eram considerados humanos, porém não homens, por que passavam a maior parte do tempo em tarefas que visam somente à sobrevivência de si e de outros. Portanto, dentro dessa lógica só é homem aquele que tem tempo para pensar, refletir, contemplar. Nietzsche em “Humano, desmasiado humano” dizia que: quem não tem, pelo menos, ¾ do dia para si é um escravo.
Sócrates Também falou que: se for apenas para comer, dormir, fazer sexo, que o homem existe, então, ele não é homem, é um animal. Escravo era visto assim: animal necessário para formar “homens”.
Na era moderna a escravidão barateia a mão-de-obra e obtem-se maior lucro. Na Grécia antiga escravo proporcionava, principalmente tempo livre que tanto necessitavam os filósofos. Pois a dignidade humana só é conquistada através da vida contemplativa, reflexiva sem compromisso com fins pragmáticos, destinada aos filósofos.
Vem o cristianismo e diz que todo indivíduo deve viver, uma vida contemplativa permitindo ao homem a oração.
Três forma dicotômicas de trabalho:
- improdutivo e produtivo;
- qualificado e não qualificado;
- intelectual e manual.
Segundo Arendt o conceito de trabalho produtivo, aquele que produz objetos, saiu ou eclodiu das mãos dos fisiocratas e Marx, só escolheu o termo trabalho que produz, que gera, que cria, porque estava em moda na época (nada mais do que enfraquecer o pensamento de Karl Marx em: trabalho é trabalho produtivo).
Nomearam o trabalho industrial de trabalho intelectual e para o trabalho que não estava ligado a industrial chamaram de trabalho manual. Mas, ambos precisam das mãos, quando colocados em prática. O intelectual precisa das mãos para escrever o que se planejou, logo trabalho intelectual é manuseável. Assim o trabalho intelectual é integrado ao “trabalho” da revolução industrial. A inda hoje, tudo que se faça tem que ser transformado em mercadoria, a ordem é valor de troca.
O objetivo no conceito “força de trabalho” compreende que todos tem a mesma força de trabalho e os fisicamente fracos, devem se adequar. Assim, que Marx forma o conceito de “valor de troca”. E assim exigem os proprietários dos meios de produção.
A força de trabalho que o homem possui só acaba com a morte, diferente do produto, que acaba quando é produzido. A força de trabalho é aquilo que Arendt entende por “labor”. “O labor não deixa atrás de si vestígio permanente”. Ex: do conceito de labor. Qual é a diferença entre um pão e uma mesa? A mesa pode durar anos e o pão dura, como muito, dois dias. O trabalho é força gasta para produzir a mesa. O labor é a força dispendida para produzir o pão. Mesa: objeto material produzido para o uso cotidiano e ocupa lugar no espaço. Pão: elemento material produzido para à sobrevivência de seres vivos e não ocupa lugar no espaço, visto que durante a digestão o pão é transformado em energia do corpo.
“O que os bens de consumo são para a vida humana, os objetos de uso são para o mundo do homem”.(Arendt).
Bem de consumo = pão (permite a vida) / objeto de uso = mesa (necessário aos relacionamentos humanos). Então o homem fica dependentemente condicionado do que produz. Logo, o nome do livro: “A condição humana”. Condições para que o homem possa viver em sociedade, em coletividade.
Transformar o abstrato em concreto, o impalpável no papável é uma necessidade humana, conceito, ocidental que advem do capitalismo. Portanto, índios trabalham ou, apenas realizam atividades? A afirmação: os índios não trabalham, não quer dizer que eles sejam preguiçosos, quer dizer que eles não produzem valor de troca, logo, não realizam trabalho. Lugar onde Marx é mais mal interpretado.
Ex: homem sozinho numa ilha, para sair dela, deverá construir um barco, irá trabalhar. Antes, ele já viu um barco. Ao ver um barco, ele forma o conceito de barco. Então, cria a imagem na mente, para construí-lo. Cuja construção dependente do conceito barco. O imaginar e depois construir é próprio do humano. É nesse sentido que Marx diz que o homem é o único animal que trabalha. O homem imagina e depois faz. Se acrescentar o valor de troca, dá-se o trabalho capitalista. O trabalhador da fábrica sabe de antemão qual objeto irá produzir, sabe para que será usado. Todo objeto antes de ser construído tem sua finalidade, sua utilidade.
Nesse aspecto entre o meio(recurso usado para obter um fim) e o fim, temos a distinção entre objeto e instrumento (ou ferramenta usada para produzir o objeto). Uma vez acabada a produção, este serve como meio de... A princípio temos este algo como fim, e num segundo momento temos este algo como meio. Ele é um fim em relação a ferramenta, e depois, é um meio em relação ao homem. Se em relação a ferramenta temos um objeto, em relação ao homem temos um instrumento. É aí que existe um processo circular entre meio e fim, instrumento e objeto; em que todo fim se torna meio e todo meio se torna fim: “Num mundo estritamente utilitário, todos os fins tendem a ser de curta duração e a transformar-se em meios para outros fins.”(Arendt)
Todo instrumento é produzido para atender ao tipo de objeto desejado. O que realmente importa ao empregador é o objeto final acabado, o instrumento é apenas o meio. Os meios de produção são instrumentos usados para gerar mais-valia. Usados pelo assalariado. Quando o assalariado não percebe o uso que ele faz do instrumento, -seu trabalho-, gera mais - valia, então ele é um alienado.
O labor é trabalho gasto para produção de alimentos. Portanto, mantem a saúde do indivíduo e ele poderá trabalhar (o labor é pré-requisito do trabalho). Conforme a autora, não é possível existir trabalho sem labor. Ao passo que o labor produz a matéria para incorporá-la ao organismo, o trabalho a produz para que esta seja usada na produção de outros objetos e na materialização do abstrato ou colocar no papel uma idéia). Uma outra distinção entre trabalho e labor consiste em que, enquanto o labor exige o consumo rápido ou imediato, o trabalho não. A lógica do trabalho é a durabilidade dos objetos. Sua durabilidade permite o acúmulo de estoque dos objetos.
Mi - Base: GC - 05/10/10
http://www.mundodosfilosofos.com.br/a-condicao-humana-hannah-arendtt.htm
Relato detalhado da evolução dos contextos predominantes da revelação da essência do homem. Partindo da Grécia Antiga até a modernidade da questão proletária, é possível percebe-se a degradação e a banalização que os conceitos sofreram no decorrer do tempo e as conseqüências para o homem moderno, cada vez mais alienado e apolítico.
A condição do "Homem",que tem o poder de fazer com que se integre à esfera pública, de se revelar quem é e inicie novos processos, ilimitados e potencialmente eternos. O Homem enquanto age deixa de ser escravo das necessidades, deixa para trás o labor e o trabalho, para finalmente ser livre. Agindo o Homem desvincula-se do reino doméstico, o oikos e entra na polis, no espaço político. A própria ação é a liberdade, e por conseqüência só se é livre enquanto se está em espaço público. Com a crescente apolitização dos homens têm-se reduzido o espaço público, reduzida a ação, correndo-se o risco de um caminhar À escravidão maior, fazendo com que o animal laborans finalmente predomine por completo sobre o zoon politikon.
Vídeo de 8’ http://www.youtube.com/watch?v=MI8N2hTqgcM
Hannah Arendt (Hanôver, 14/10/1906 — Nova Iorque, 04/12/1975), teórica política alemã, muitas vezes descrita como filósofa. Foi para os Estados Unidos durante a ascensão do nazismo na Alemanha e tem como sua magnum opus o livro "Origens do Totalitarismo".
De família judia, fez teologia com Martin Heidegger e relacionando-se afetiva, intelectualmente com ele. Estudou filosofia em Königsberg, cidade natal de Kant.Em Heidelberg, fez tese de doutoramento sobre a experiência do amor na obra de Santo Agostinho, sob a orientação do filósofo existencialista Karl Jaspers.
Uma em 1929. Em 1933 na tomada de Hitler, por ser judia é proibida de escrever a segunda dissertação para o acesso ao ensino nas universidades alemãs. Envolvida no sionismo colidiu com o anti-semitismo do Terceiro Reich, foi presa. Em Paris, trabalhou 06 anos com crianças judias expatriadas e tornou-se amiga do crítico literário e filósofo marxista Walter Benjamin. Presa pela segunda vez na França com o marido "marxista crítico" Heinrich Blutcher. Partiu para os EUA, com a ajuda do jornalista americano Varian Fry.
Seus temas filosóficos abarcam política, autoridade, totalitarismo, educação, condição laboral, violência e a condição de mulher.
O primeiro livro "As origens do totalitarismo" de 1951 a consolida uma das figuras maiores do pensamento político ocidental. Assemelha de forma polémica ao nazismo e ao comunismo, na ideologias totalitárias, isto é, uma explicação compreensiva da sociedade e da vida individual mostra que a via totalitária depende da banalização do terror, da manipulação das massas, do acriticismo face à mensagem do poder. Hitler e Stalin seriam duas faces da mesma moeda alcançam o poder explorando a solidão organizada das massas. Em 1958 publica "A condição humana" que enfatiza a importância da política como ação e como processo, dirigida à conquista da liberdade. Publica em 1963 "Sobre a Revolução", talvez o seu maior tributo para o pensamento liberal contemporâneo.
Examina a Revolução Francesa e Americana, mostra as partes em comum e diferente. Defende que a preservação da liberdade só é possível se as instituições pós-revolucionárias interiorizarem e mantiverem vivas as idéias revolucionárias. Lembra os concidadãos americanos (já de nacionalidade americana) que se distanciassem dos ideais que tinham inspirado a revolução americana perderiam o seu sentido de pertencer e a identidade.
Ainda, em 1963 por cobrir o julgamento do exterminador dos judeus e arquiteto da Solução Final para a The New Yorker escreveu "Eichmann em Jerusalém". Nesse livro revelou que o grande exterminador dos judeus não era um demônio e um poço de maldade, como o criam os ativistas judeus, mas alguëm terrível e horrivelmente normal, burocrata que se limita a cumprir ordens, com zelo, sem capacidade de separar o bem do mal, ou contrição (arrependimento). Isto valeu crítica virulenta das organizações judaicas que a considerou falsa e renunciaram (abjuraram) a insinuação da cumplicidade dos próprios judeus na prática dos crimes de extermínio. Arendt apontou, apenas, para a complexidade da natureza humana, para uma certa "Banalidade do Mal" que surge quando se condescede com o sofrimento, a tortura e a própria prática do mal. Daí conclui que é fundamental manter uma permanente vigilância para garantir a defesa e preservação da liberdade.
Volta à Alemanha envolve-se, na reabilitação do filósofo alemão Martin Heidegger, afastado do ensino, depois da libertação da Alemanha, dadas as suas simpatias nazis. Novamente é criticada pelas associações judaicas americanas. Do relacionamento secreto entre ambos seria publicado um livro marcante, "Lettres et autres documents", 1925-1975, Hannah Arendt, Martin Heidegger, com edição alemã e tradução francesa da responsabilidade das Editions Gallimard. Hannah Arendt faleceu em 1975, e está sepultada em Bard College, Annandale-on-Hudson, Nova Iorque.
Arendt alerta em “A condição humana”: que condição humana é uma coisa e natureza humana é outra. Condição humana é a forma de vida que o homem se impõe para sobreviver. Por isso, somos condicionados por duas maneiras:
1 - Condições que suprem a existência do homem e variam de acordo com o lugar e o momento histórico (a cultura, amigos, família; são elementos externos do condicionamento) do qual é parte;
2 - Sendo assim (os próprios atos, aquilo que pensam, sentem, em suma os aspectos internos do condicionamento) homens são condicionados, até mesmo aqueles que condicionam o comportamento do outro tornam condicionados pelo próprio movimento de condicionar.
Organiza, sistematiza, a condição humana em três aspectos:
1) O “labor” é processo biológico necessário para a sobrevivência do indivíduo e da espécie humana.
2) O “trabalho”, quando transformam coisas naturais em artificias, ex: retiramos da árvore madeira para construir casas, armários, camas, objetos e etc.. Para ela, o trabalho não é intrínseco, constitutivo, da espécie humana, em outras palavras, o trabalho não é a essência do homem. O homem impôs o trabalho à sua própria espécie, como resultado de um processo cultural. O trabalho não é ontológico como Marx imaginava.
3) Por último a “ação”, necessidade do homem viver entre seus semelhantes, cuja natureza é eminentemente sociável. Ao nascer precisa de cuidados, de aprender e apreender, para sobreviver. Qualquer recém nascido abandonado só morrerá em questão de horas. A mesma coisa não acontece com animais que ao nascer já conseguem por conta própria e sem ajuda, sobreviver. A qualidade da ação supõe seu caráter social, sua pluralidade.
Estes três itens estão são conceito de “Vita Activa” (ocupação, inquietude, desassossego). Conforme os gregos o homem, só é homem quando (pensa) se afasta da “vida ativa” e se aproxima da vida reflexiva, contemplativa. Escravos eram considerados humanos, porém não homens, por que passavam a maior parte do tempo em tarefas que visam somente à sobrevivência de si e de outros. Portanto, dentro dessa lógica só é homem aquele que tem tempo para pensar, refletir, contemplar. Nietzsche em “Humano, desmasiado humano” dizia que: quem não tem, pelo menos, ¾ do dia para si é um escravo.
Sócrates Também falou que: se for apenas para comer, dormir, fazer sexo, que o homem existe, então, ele não é homem, é um animal. Escravo era visto assim: animal necessário para formar “homens”.
Na era moderna a escravidão barateia a mão-de-obra e obtem-se maior lucro. Na Grécia antiga escravo proporcionava, principalmente tempo livre que tanto necessitavam os filósofos. Pois a dignidade humana só é conquistada através da vida contemplativa, reflexiva sem compromisso com fins pragmáticos, destinada aos filósofos.
Vem o cristianismo e diz que todo indivíduo deve viver, uma vida contemplativa permitindo ao homem a oração.
Três forma dicotômicas de trabalho:
- improdutivo e produtivo;
- qualificado e não qualificado;
- intelectual e manual.
Segundo Arendt o conceito de trabalho produtivo, aquele que produz objetos, saiu ou eclodiu das mãos dos fisiocratas e Marx, só escolheu o termo trabalho que produz, que gera, que cria, porque estava em moda na época (nada mais do que enfraquecer o pensamento de Karl Marx em: trabalho é trabalho produtivo).
Nomearam o trabalho industrial de trabalho intelectual e para o trabalho que não estava ligado a industrial chamaram de trabalho manual. Mas, ambos precisam das mãos, quando colocados em prática. O intelectual precisa das mãos para escrever o que se planejou, logo trabalho intelectual é manuseável. Assim o trabalho intelectual é integrado ao “trabalho” da revolução industrial. A inda hoje, tudo que se faça tem que ser transformado em mercadoria, a ordem é valor de troca.
O objetivo no conceito “força de trabalho” compreende que todos tem a mesma força de trabalho e os fisicamente fracos, devem se adequar. Assim, que Marx forma o conceito de “valor de troca”. E assim exigem os proprietários dos meios de produção.
A força de trabalho que o homem possui só acaba com a morte, diferente do produto, que acaba quando é produzido. A força de trabalho é aquilo que Arendt entende por “labor”. “O labor não deixa atrás de si vestígio permanente”. Ex: do conceito de labor. Qual é a diferença entre um pão e uma mesa? A mesa pode durar anos e o pão dura, como muito, dois dias. O trabalho é força gasta para produzir a mesa. O labor é a força dispendida para produzir o pão. Mesa: objeto material produzido para o uso cotidiano e ocupa lugar no espaço. Pão: elemento material produzido para à sobrevivência de seres vivos e não ocupa lugar no espaço, visto que durante a digestão o pão é transformado em energia do corpo.
“O que os bens de consumo são para a vida humana, os objetos de uso são para o mundo do homem”.(Arendt).
Bem de consumo = pão (permite a vida) / objeto de uso = mesa (necessário aos relacionamentos humanos). Então o homem fica dependentemente condicionado do que produz. Logo, o nome do livro: “A condição humana”. Condições para que o homem possa viver em sociedade, em coletividade.
Transformar o abstrato em concreto, o impalpável no papável é uma necessidade humana, conceito, ocidental que advem do capitalismo. Portanto, índios trabalham ou, apenas realizam atividades? A afirmação: os índios não trabalham, não quer dizer que eles sejam preguiçosos, quer dizer que eles não produzem valor de troca, logo, não realizam trabalho. Lugar onde Marx é mais mal interpretado.
Ex: homem sozinho numa ilha, para sair dela, deverá construir um barco, irá trabalhar. Antes, ele já viu um barco. Ao ver um barco, ele forma o conceito de barco. Então, cria a imagem na mente, para construí-lo. Cuja construção dependente do conceito barco. O imaginar e depois construir é próprio do humano. É nesse sentido que Marx diz que o homem é o único animal que trabalha. O homem imagina e depois faz. Se acrescentar o valor de troca, dá-se o trabalho capitalista. O trabalhador da fábrica sabe de antemão qual objeto irá produzir, sabe para que será usado. Todo objeto antes de ser construído tem sua finalidade, sua utilidade.
Nesse aspecto entre o meio(recurso usado para obter um fim) e o fim, temos a distinção entre objeto e instrumento (ou ferramenta usada para produzir o objeto). Uma vez acabada a produção, este serve como meio de... A princípio temos este algo como fim, e num segundo momento temos este algo como meio. Ele é um fim em relação a ferramenta, e depois, é um meio em relação ao homem. Se em relação a ferramenta temos um objeto, em relação ao homem temos um instrumento. É aí que existe um processo circular entre meio e fim, instrumento e objeto; em que todo fim se torna meio e todo meio se torna fim: “Num mundo estritamente utilitário, todos os fins tendem a ser de curta duração e a transformar-se em meios para outros fins.”(Arendt)
Todo instrumento é produzido para atender ao tipo de objeto desejado. O que realmente importa ao empregador é o objeto final acabado, o instrumento é apenas o meio. Os meios de produção são instrumentos usados para gerar mais-valia. Usados pelo assalariado. Quando o assalariado não percebe o uso que ele faz do instrumento, -seu trabalho-, gera mais - valia, então ele é um alienado.
O labor é trabalho gasto para produção de alimentos. Portanto, mantem a saúde do indivíduo e ele poderá trabalhar (o labor é pré-requisito do trabalho). Conforme a autora, não é possível existir trabalho sem labor. Ao passo que o labor produz a matéria para incorporá-la ao organismo, o trabalho a produz para que esta seja usada na produção de outros objetos e na materialização do abstrato ou colocar no papel uma idéia). Uma outra distinção entre trabalho e labor consiste em que, enquanto o labor exige o consumo rápido ou imediato, o trabalho não. A lógica do trabalho é a durabilidade dos objetos. Sua durabilidade permite o acúmulo de estoque dos objetos.
Mi - Base: GC - 05/10/10
http://www.mundodosfilosofos.com.br/a-condicao-humana-hannah-arendtt.htm
domingo, 3 de outubro de 2010
Dignidade e orgulho
Deus nos dá a graça necessária para vivermos, mas o restante não cai do céu. No começo realmente tudo é muito difícil. Devemos aceitar gestos de caridade enquanto estamos necessitados, mas assim que possível devemos passar a oportunidade adiante.
Ajudas sempre são transitórias. O principal objetivo a ser domado e transformado na vida sou eu, bem diferente do orgulho.
Mi - Base: FM - Cps, 03/10/10
Ajudas sempre são transitórias. O principal objetivo a ser domado e transformado na vida sou eu, bem diferente do orgulho.
Mi - Base: FM - Cps, 03/10/10
Idealização e realidade
Como gostaríamos de ser, seria o ideal, como vivemos é a realidade!
Às vezes o tempo não permite que cheguemos as nossas idealizações. Na vida adulta naturalmente analisamos nossas escolhas, às vezes nos conformamos com elas, às vezes tentamos reconstruí-las, porque agora vemos as coisas muito diferentes, devido à experiência adquirida.
Não é hora de sermos ingratos conosco, o que devemos fazer é analisar dois importantíssimos fatores:
- o ideal, que seria o alcance das metas. Mas à medida que passamos pelo tempo e pelas circunstâncias distanciamo-nos delas, porém não a ignoramos;
- o real que é limitado e costuma engolir sonhos, isto é fato, mas também sinaliza buscas. Pode ser que tivéssemos querido algo que o hoje já não nos permite mais. Querendo ou não, o tempo é limite para diversas coisas.
Quem sabe podemos redesenhar nossos sonhos? Aquilo que queríamos ontem, talvez ainda podemos querê-lo hoje. Exercício bonito na teoria, porém na prática é bastante complicado. Sempre é muito difícil articular nossos insucessos.
Ao resgatarmos momento de lucidez, damos o primeiro passo para realizações. Se dermos vida aos sonhos descobrimos o que temos de direitos ainda. A maturidade nos diz que não devemos deixar pra lá realizações não concretizadas favoráveis ao nosso ser.
A existência é um dilema, pior é ter uma vida que não é de nossa escolha. Lá pelas tantas a experiência avisa se a vida em que estamos é nossa ou não e nos permite viver a adequação do ideal para o real.
Bom mesmo é lutar pela causa e satisfazer-se ao ver que valeu à pena. Empurrar os dias sem atitude certa e viver irrealizada pode ser sinônimo de frustração.
Mi - Base: FM - Cps, 03/10/11
Às vezes o tempo não permite que cheguemos as nossas idealizações. Na vida adulta naturalmente analisamos nossas escolhas, às vezes nos conformamos com elas, às vezes tentamos reconstruí-las, porque agora vemos as coisas muito diferentes, devido à experiência adquirida.
Não é hora de sermos ingratos conosco, o que devemos fazer é analisar dois importantíssimos fatores:
- o ideal, que seria o alcance das metas. Mas à medida que passamos pelo tempo e pelas circunstâncias distanciamo-nos delas, porém não a ignoramos;
- o real que é limitado e costuma engolir sonhos, isto é fato, mas também sinaliza buscas. Pode ser que tivéssemos querido algo que o hoje já não nos permite mais. Querendo ou não, o tempo é limite para diversas coisas.
Quem sabe podemos redesenhar nossos sonhos? Aquilo que queríamos ontem, talvez ainda podemos querê-lo hoje. Exercício bonito na teoria, porém na prática é bastante complicado. Sempre é muito difícil articular nossos insucessos.
Ao resgatarmos momento de lucidez, damos o primeiro passo para realizações. Se dermos vida aos sonhos descobrimos o que temos de direitos ainda. A maturidade nos diz que não devemos deixar pra lá realizações não concretizadas favoráveis ao nosso ser.
A existência é um dilema, pior é ter uma vida que não é de nossa escolha. Lá pelas tantas a experiência avisa se a vida em que estamos é nossa ou não e nos permite viver a adequação do ideal para o real.
Bom mesmo é lutar pela causa e satisfazer-se ao ver que valeu à pena. Empurrar os dias sem atitude certa e viver irrealizada pode ser sinônimo de frustração.
Mi - Base: FM - Cps, 03/10/11
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