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domingo, 5 de fevereiro de 2012

Provocação musical

Em 35, Noel Rosa e Wilson Batista dois sambistas travam um verdadeiro combate musical que só foi registrado em 56. Wilson Batista na época escrevia para jornais de modinhas que publicavam letras de novos sambas, mas tinha uma gravação: Lenço no Pescoço que começa assim:“tamanco arrastando...”.

Noel Rosa ouve Wilson Batista se orgulhar da vadiagem e se ofende que a palavra malandro seja sinônimo de sambista começa a briga na letra de Rapaz Folgado: "Deixa de arrastar o teu tamanco, pois tamanco nunca foi sandália...".

Wilson Batista não era famoso, mas tinha admiradores, logo reage com Mocinho da Vila: "Se não quiser perder o nome, cuide do seu microfone e deixe quem é malandro em paz... fala de malandro quem é otário".

Noel compõe Feitiço da Vila: "Quem nasce lá na Vila, nem sequer vacila ao abraçar o samba...".

Wilson Batista gosta da notoriedade que a briga proporciona a ele, um desconhecido e o provoca com Conversa Fiada: "É conversa fiada dizerem que o samba lá na vila tem feitiço..." "...antes de irem dormir dêem duas voltas no cadeado".

Noel responde com Palpite Infeliz: "Quem é você, que não sabe o que diz...".

Wilson Batista ataca com Frankstein da Vila, o qual se arrepende ao tocar no complexo de Noel que tinha o queixo afundado e uma ligeira paralisia no lado direito provocado pelo fórceps no parto. "Boa impressão nunca se tem, quando se encontra um certo alguém, que até parece o Frankstein..." Dizem que Noel compra todas as modinhas que encontra, para rasgá-las mas não o faz.

Noel começa a finalizar com João Ninguém: "João Ninguém, que não é velho nem moço, come bastante no almoço pra se esquecer do jantar".

Wilson Batista ainda retruca com Terra de Cego: "És o abafa da Vila, bem sei, mas na terra de cego quem tem um olho é rei".

Mas, Noel gosta da melodia nasce então um encontro e a única parceria onde refaz a letra cujo tema é Ceci namorada de ambos em momentos diferentes com: Deixa de ser convencida.

Noel morre em 1937, aos 26 anos, consagrado como um dos maiores compositores brasileiros. Wilson Batista começa a fazer sucesso, não como rival de Noel de quem se torna amigo, mas com outros tipos de canções. As interpretações mostram que os duelos deixam obras sensacionais para a história do samba e para nossa cultura, lógico.

http://www.samba-choro.com.br/s-c/tribuna/samba-choro.0308/0119.html

No amor tivemos a vida conjugal tumultuada de Herivelto Martins e Dalva de Oliveira que rendeu um escândalo nacional pela imprensa. Diante do sofrimento com a separação a carreira de Herivelto e de Dalva fortalece diante de letras retratada com fidelidade a crise do casal.

Herivelto começa com o samba "Cabelos Brancos"

Dalva responde com o "Tudo acabado", de J. Piedade e Osvaldo Martins

Herivelto ataca com outras canções como: "Caminhemos", "Quarto Vazio", "Caminho Certo" e "Segredo". Dalva rebate com "Calúnia", "Errei sim" e "Mentira de Amor"
O público se dividia entre Dalva e Herivelto alimentando o cenário musical

De lá pra cá as brigas musicais tornaram-se comum:

Dizem que Paulinho da Viola fez “Argumento” para provocar o samba no piano de Benito di Paula.


Benito rebateu com a música “Não me importa nada” “você me aborrece com opiniões” e “olha o campo verde, é todo seu, rapaz”. Em outras palavras: vai pastar


Hoje naturalmente tudo está muitíssimo diferente as músicas mudaram e os gostos também, o que não muda são as brincadeiras descontraídas nas respostas como:
Vou não! Quero não! Posso não! Minha mulher não deixa não! Não vou não! Quero mão!

Vou sim! Quero sim! Posso sim! Minha mulher não manda em mim! Eu vou sim! Quero sim!


E ainda...

- Ai se eu te pego!

- É ruim que cê me pega


As escolhas musicais variam conforme o gosto de cada um, portanto cada qual no seu estilo. Serve para se ter alguma informação a respeito. O PRÈconceito não é legal. Não é o que gosto ou prefiro, mas respeito até acho divertido. Até o fado entrou na brincadeira http://youtu.be/9rB7pB-bksI viu? Até que não ficou ruim.

E por aí vai...

domingo, 29 de janeiro de 2012

Amigo sincero...

... é sagrado, um parente espiritual que não gera obrigações de vínculo, mas o queremos por entender ser a manifestação de Deus. A vida e a liberdade permitem que identifiquemos nele algo em comum ou não, contudo escolhemos trazê-lo para nossas vidas. Podemos nos visitar muito ou nem tanto, mas reconhecemos que ultrapassa a possibilidade da presença. Seguramente o definimos como território humanos por onde Deus nos fala em momentos fáceis e difíceis. Enfim... não devemos nos privar de verdadeiro amigos, aquele que cuja concretude passa pelo amor e faz com quem a presença Divina seja notada quando alguém se aproxima de nós. Mistério do reino crescendo a partir de nós.

Porém, a filosofia nos ensina que há outro tipo de amizades, por exemplo: do grego vem a palavra filos que significa: amigo do conhecimento, portanto aquele que nunca vimos, mas nos traz conhecimento através de um livro, uma música ou qualquer outra obra também é amigo, por diminui nossa ignorância. Ao exercer papel de amizades em nossa história, tem a oportunidade de promover o bem, de ser favorável, de dilatar significado, de quebrar o que deve ser quebrado, de remendar o que precisa ser remendado e até colocar restrições favoráveis. Dá sentido ao absurdo, empresta ombros, ouvidos, palavra, olhar, presença, tira o vazio, organiza o caus, ajuda a entender o que não compreendemos sozinhas. Mostra a importância do laço, de raizes e raizes pode ser tudo aquilos que nos frequentam a alma dando efeito ao coração.

Onde achamos quem nos coloque na perspectiva do crescimento num mundo de tanta superficialidade? No amigo pleno de autoridade afetiva, que detecta em nós a fragilidade tornando razoável, ou seja, da razão, sentido, um jeito novo de mostrar horizontes. Descobrir a dinâmica da palavra amiga talvez seja a maior urgência nos dia de hoje, onde tudo é tão líquido e rapidamente escorre entre nossos dedos. Tantas palavras nos distroem, desolam nosso ser, nos jogam no chão, nos infelicitam, colocam obstáculos em nossos processos de realizações. Assim é a vida, aos poucos vamos nos reconstruindo no que ecolhemos dizer, ver, ouvir, sentir e pensar. Muito cuidado ao permitir que "certo" amigo nos encontre como abrigo.

"Um irmão pode não ser um amigo, mas um amigo será sempre um irmão." Bejnamim Franklin

Mi – Base:FM – Cps, 25/01/12

sábado, 14 de janeiro de 2012

O Bêbado e “A” equilibrist”a”

Como sabemos, durante a Ditadura era comum o uso de metáforas para driblar os militares que reprimiam qualquer pessoa que se opusesse contra o arbitrário regime. Em 1979 da "arma" de João Bosco e Aldir Blanc saiu um samba: O bêbado e a equilibrista, que na interpretação de Elis entendemos como "disparavam" mensagens subliminares.

O Bêbado = artistas ou não, que enfrentavam a ditadura desejosos por liberdade.
e a Equilibrista = esperança em democracia - mas, em eventos como: eleiçoes, passeatas e etc, os militares sabotavam duramente.
Caía a tarde feito um viaduto = Nos anos 70 em Belo Horizonte, o viaduto da Gameleira, obra do governo desabou sobre carros e ônibus, muita gente morreu. Nada foi noticiado nem as pessoas foram ressarcidas ou indenizadas.
E um bêbado trajando luto, me lembrou Carlitos = militantes de esquerda desaparecidos ou assassinados sob tortura.
A lua = políticos civis a favor do regime, a fim de obter ganhos pessoais. Se um general declarasse que a lua era preta eles defendiam tal tese como verdade absoluta. Eram chamados de luas-pretas.
tal qual a dona do bordel = negócios imorais feitos nas Câmara e no Senado eram comparados a bordéis, mas se alguem atrevesse tocar no assunto, no mínimo seria processado por calúnia, injúria, difamação e muitas outras coisas.
Pedia a cada estrela fria = estrelas eram generais, donos do poder, que não apareciam, mas manipulavam nos bastidores. Contentavam com poucos privilégios, ninharias de cargos de direção em estatais ou o poder de nomear alguns para empregos públicos.
um brilho de aluguel = ganhos pessoais ou eleitorais obtidos pelos civis marionetes. Alguns destes civis cresceram tanto que altrapassaram em poder os seus "criadores" fardados.
E nuvens =  os torturadores eram intangiveis assim como as núvens.
lá no mata-borrão = a temível polícia política da época era o mata-borrão destinada a sugar erros.Os militares criaram o DOI-CODI. DOI (Destacamento de Operações de Informações)  responsável pela inteligência e repressão do governo subordinados ao CODI (Centro de Operações de Defesa Interna), local de assassinatos e torturas de opositores.
do céu = aos cidadão comum, as prisões eram distante, por isso era comparada ao céu.
Chupavam manchas = os rebeldes eram as manchas na escrita, para isso mata-borrão.
torturadas = tortura camuflada em militantes de esquerda.
que sufoco, louco = o regime jamais admitiu torturar pessoas, nunca houve punições nos casos, que apesar da censura a imprensa conseguia divulgar.
O bêbado com chapéu-coco fazia irreverências mil = artistas sempre achavam um jeito de falar, conforme a música em questão.
Pra noite do Brasil, meu Brasil... = a volta da liberdade política era o amanhecer e a ditadura noite.
Que sonha com a volta do irmão do Henfil = Alusão à Campanha pela Anistia aos presos e exilados políticos. Henfil, apelido de Henrique Filho, cartunista político perseguido pelo regime. Herbert José de Sousa era seu irmão Betinho, sociólogo e ativista dos direitos humanos brasileiro que foi contra a ditadura, logo exilado (Anistiado em 79, voltou ao Brasil).
Com tanta gente que partiu num rabo-de-foguete = os exilados.
Chora a nossa pátria mãe gentil. Choram Marias e Clarisses no solo do Brasil = Maria, esposa de Manuel Fiel Filho morto sob tortura nos porões do DOI-CODI/SP em janeiro de 76. Clarice esposa de Wladimir Herzog igualmente morto em outubro de 75.
Mas sei, que uma dor assim pungente, não há de ser inutilmente = a luta não seria insignificante.
A esperança dança, na corda bamba de sombrinha. E em cada passo dessa linha pode se machucar = ficavam impotentes perdiam algumas estratégias e muitos companheiros, os tidos como rebeldes sofriam, mas não desistiam.
Azar , a esperança equilibrista. Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar. = era a missão dos bêbados, jamais deixar de lutar, cada um com seu tipo de "arma", onde quer que estivessem e de maneiras diversas. Como diz a letra, não podiam parar...

Mi - Cps, 14/01/12

Fonte: http://www.contrabaixobr.com/t13563-o-bebado-e-a-equilibrista-significado-da-letra

Música + história = imortalidade

História A revolta das chibatas” - http://www.cefetsp.br/edu/eso/patricia/revoltachibata.html

Breve resumo - http://youtu.be/9jaw7piVMW0

Música – “O Mestre sala dos Mares” (João Bosco/Aldir Blanc), a letra apresentada é original, mas a ouvimos depois de censurada pela ditadura militar no Brasil. A imagem é da história. http://youtu.be/f9c7sY5TNTQ

domingo, 8 de janeiro de 2012

Futuro?

O sentido dos acontecimentos se dá aos poucos. O distanciamento da realidade nos permite visão mais aprimorada dos fatos. É muito difícil conversar com quem não gosta de memória. Para os significados do presente preciso do passado. As saudades dão futuros e assim nascem minhas atitudes. Necessito do antigamente para encontrar-me comigo melhor. Saber do futuro para que? O importante é estar disposta quando ele chegar. Cuidando bem do presente o futuro é simplesmente um detalhe.

Mi - Base:FM - Cps, 08/01/12

Um fato "pontual"

Ok! Tudo bem com a expressão “pontual”. O que sempre incomoda é a repetição, o uso excessivo. Isso nocauteia qualquer vocabulário. PONTUAL no inglês é adjetivo e significa “específico, restrito”. A Pontualidade na língua portuguesa quer dizer: exatidão, regularidade, cujo sinônimo é: assiduidade, atilamento, correção ou precisão. Virtude de pessoa civilizada, qualidade daquele que chega no tempo estabelecido, cumpre obrigações ao executar algo dentro do tempo permitido. Com a pontualidade nada acontece antes nem depois, há uma exatidão vital. Certa vez ouvi alguém dizer que: Antes da hora ainda não é hora, depois da hora, já não é mais hora. Só é hora na hora.

De novo vale lembrar que PONTUAL é “quem chega na hora marcada ou cumpre o horário estabelecido”. Logo, essa história de “problemas pontuais” é confusa. Bobagem achar que falar difícil é falar bem.

Mi – Base: Prof. Sergio Nogueira

domingo, 1 de janeiro de 2012

Renovar em Paz

Bem vindo, Novo! Costumeiramente você exala esperanças. Alegro-me e ouso caminhar contigo até o fim. Sem esquecer que quedas e vitórias significam coragem para eu prosseguir com dignidade e respeito nas reflexões sobre acertos e erros. Cuidar dos afazeres com competência é sempre uma boa decisão. Melhor empenhar na realização que me cabe do que invejar a alheia. As regras sociais do velho continuam novas e válidas. Contudo sempre haverá alguém disposto a nos punir pelos nossos acertos. Tomara que o dia mundial da Paz não seja só hoje. É utopia desejar que o ódio fique do lado de fora com autorização negada para se manifestar? Talvez seja! Mas o importante é saber que a Paz começa com a convivência respeitosa ao outro, na consciência, na diferença e na individualidade (nada a ver com individualismo). Na obra "O inferno são os outros" Sartre traduz os sentimentos ruins que nascem das projeções. Que bênção nascer e viver em um Lar de Paz, sobretudo ser por ele acolhida!

Mi – Base: GC/FM – Cps, 01/01/12